A névoa, o menino e o embornal

Fábio Daflon

Lançado em 2020, no, literariamente, profícuo ano da literatura capixaba, o livro A névoa, o menino e o embornal, de Matusalém Dias de Moura, se nos afigura quase como um perfil do autor. Mas o perfil, se nos reportarmos à Idade Média, era como se pintavam os retratos naquele tempo. Na orelha do livro, o retrato do autor está em oblíquo, a orelha esquerda dele aparece e a direita mostra apenas pequeno pedaço do pavilhão auditivo. O mais é o olhar cativante e o sorriso largo sob o nariz anasalado que desconhece a empáfia. Hilda Hilst, citada de memória, certa vez disse que o leitor não deve conhecer o autor para não se desapontar. Além de conhecer o procurador da Assembleia Legislativa do Espírito Santo, sabia-o, até então, principalmente poeta de variados estilos, autor de haicais singelos, quadras e trovas e sonetos, nunca lera antes nenhum dos seus livros de prosa, sei agora que já publicou cerca de trinta títulos. Leia

 

Poemário mirim de pertinências várias

Marcela Guimarães Neves

“Ando por esse Espírito Santo, canto por canto, embora invente uma fictícia ilha, que nem Jorge, é esta terra que eu amo, esta terra que é minha. Vitória: eis-me chegado, enfim a Trapisona.” O mesmo espírito de amor à terra natal presente nos Cantos de Fernão Ferreiro, bela obra poética do escritor, professor e magistrado capixaba Renato Pacheco, pode ser nitidamente observado em Poemário mirim de pertinências várias, cativante livro do também escritor, professor e magistrado capixaba Getúlio Marcos Pereira Neves. Leia

 

Os signos no discurso poético de Jorge Elias

Ester Abreu Vieira de Oliveira

Neste período de pandemia ocasionada pela covid-19, o correio me trouxe Sonetos em crise, de Jorge Elias Neto, médico cardiologista que pertence à Academia Espírito-santense de Letras, Cadeira 2, cujo patrono é Graciano dos Santos Neves, que, também, foi médico. O lançamento é original e humanitário, pois a arrecadação servirá para alimentar pessoas sacrificadas pelo Corona vírus, o que mostra a sensibilidade do poeta.

Como em outras produções poéticas de sua autoria, Jorge Elias Neto ratifica com essa obra seu domínio na arte de jogar com os signos do discurso e do sistema da língua. Leia

 

Córrego dos Coelhos: o minimalismo da infância universal

Italo Samuel Ferreira Wyatt

Tricotar os retalhos da memória com as agulhas delicadas da poesia.

O romancista é sempre um latifundiário: sua construção literária é imensa e até infinita. Escreve, pois, sobre os grandes achados da humanidade, diálogos complexos, convicções filosóficas, os firmamentos dos céus, a vileza de Poseidon com os seus mares que apartam amores pretensiosamente construídos para experimentarem o eterno, os carnavais incautos de um cristianismo político. Leia

 

 

O carro de boi nas terras capixabas

Luiz Guilherme Santos Neves

Os primeiros engenhos de açúcar do Brasil, construídos de madeira pelo colonizador português, foram de tração animal. E o boi, trazido de Cabo Verde, Canárias e da Madeira, constituiu-se na força motriz das almanjarras ou paus de roda das moendas como mostra a figura abaixo (in Historia Naturalis Brasiliae, 1643. Guilherme Piso).

Sabe-se que no Brasil tupiniquim não havia boi, exceto o peixe-boi, a cuja existência e descrição fez menção o padre Fernão Cardim no texto Tratados da terra e gente do Brasil que recua ao final do século XVI: “Este peixe nas feições parece animal terrestre, e principalmente boi: a cabeça lhe é toda de boi com couro, cabelos, orelhas, olhos e língua...” Leia

 

Um belo poemário

Matusalém Dias de Moura

Homem de letras festejado por todos que o leem, tanto na prosa quanto na poesia, Getúlio Marcos Pereira Neves brinda-nos agora, neste Poemário mirim de pertinências várias, com um punhado de poemas curtos, numerados, de versos também curtos, à moda do modernista Oswald de Andrade, em sua poesia minimalista, e do saudoso poeta e conterrâneo nosso Miguel Depes Tallon, em seus poemetos primeiramente publicados em cartões, distribuídos gratuitamente de mão em mão aos amigos mais chegados, e depois, somente depois, enfeixados em livros para conhecimento e deleite de seus muitos leitores. Leia

 

Professor Amâncio Pereira, um esquecido

Francisco Aurelio Ribeiro

Todo mundo sabe que a memória capixaba de seu passado, de sua história e de seus personagens históricos é uma vaga lembrança. Dentre essas figuras esquecidas, hoje, está a do professor Amâncio Pinto Pereira, nascido em Vitória, em 1862 e aqui falecido, em 1918. Diferente de seu filho, o também professor e advogado Heráclito Amâncio Pereira (1894-1957), um dos fundadores da Faculdade de Direito, núcleo formador da futura Universidade do Espírito Santo (1954), federalizada em 1961, que teve o centenário de seu nascimento lembrado e comemorado, passou batido entre nós o centenário de morte do Professor Amâncio Pereira, ocorrido em 2018. Leia

 

Sonetos em crise

Krishnamurti Góes dos Anjos

Reza a lenda que as primeiras produções poéticas em forma de soneto teriam ocorrido lá pelo século XII, portanto no tempo que entendemos hoje como Idade Média, e que Dante Alighieri teria sido o primeiro grande poeta a compor sonetos. Definido como poema de quatorze versos, o soneto tem admitido bem pouca variação ou experimentação formal. Conservam-se seus dois modelos tradicionais: o italiano (fixado por Petrarca) e o inglês (fixado por Shakespeare), sendo o primeiro dividido em dois quartetos mais dois tercetos e o segundo formado por três quartetos mais um dístico de versos normalmente metrificados e rimados. Entretanto, e com o passar do tempo ocorreram experimentalismos como o do verso branco (sem rima), que acontece na poesia moderna. Leia

 

O cais do avião

Álvaro José Silva

As empresas aéreas do início do século XX usavam hidroaviões que decolavam e pousavam em mares, rios, lagos, lagoas, etc., e em Vitória, no bairro de Santo Antônio, era onde funcionava, antes e em seguida paralelamente ao Aeroporto de Vitória, o “hidro posto” chamado de “Cais do Avião”. Ou aeroporto marítimo. Leia

 

Os serpentinos braços do Santo Ofício na capitania do Espírito Santo

Luiz Guilherme Santos Neves

Quão longo quanto o braço da Santa Igreja Católica na propagação do catolicismo em terras do Brasil Colonial foi também o sombrio e serpentino braço do Santo Ofício no alcance das heresias e outras formas de condutas consideradas anticristãs e, como tal, ferreamente reprimidas pela Igreja. Leia

 

As montanhas da Lua, de Samuel Duarte: espaço, tempo e memória nos caminhos de Ariel

Ester Abreu Vieira de Oliveira

Samuel Duarte, nos 60 capítulos, distribuídos em dois volumes, de As montanhas da Lua (Cachoeiro de Itapemirim: Gracal Gráfica Editora, 1982), engendra a personagem Ariel, idealista, imaginativo, íntegro, corajoso, grande leitor, que procura descobrir um enigma de sua existência. Nessa busca esse ser vai captar a sua história ancestral ao mesmo tempo em que amplia, mediante o enigma do tempo, a história da humanidade, do Brasil e, principalmente, do sul do Estado do Espírito Santo. Contudo, sua inquietação não se limita à questão do tempo proustiano da busca pessoal, na memória pessoal, ao contrário, ele amplia o horizonte para o enigma do tempo coletivo, do tempo que gira para olhar o passado, para captar o mistério de sua própria história. Leia

 

O olhar daquela menina

Anaximandro Amorim

Márcio Seligmann-Silva, professor e pesquisador da Unicamp e um dos grandes teóricos da questão da memória dentro do campo literário, assevera, em artigo sobre o tema, que “[o] teor de irrealidade é sabidamente característico quando se trata da percepção da memória do trauma”. Eis, portanto, a sentença: não há testemunho sem dor. Assim é com obras já canônicas, tanto da literatura universal quanto brasileira: O diário de Anne Frank; É isto um homem, Primo Levi; Quarto de despejo, Carolina Maria de Jesus; e Nerina: Relatos de uma vida, autobiografia da autora ítalo-capixaba Nerina Bortoluzzi Herzog, uma sobrevivente da II Guerra Mundial que, além de narrar seu testemunho de vida, tão imbricado com a Guerra, também levanta questões ontológicas, identitárias e, em última análise, humanitárias. Leia

 

Wilson Coêlho: um diabo no paraíso

Gilbert Chaudanne

Nesse livro, NOSOTROS, Wilson Coêlho representa ou apresenta uma face diferente de tudo o que escreveu até agora. Seus livros tinham um caráter dionisíaco. Aqui é um pouco diferente, se trata de uma espécie de testemunha de sua viagem à Cuba; ele não é o que sai da boca de Wilson Coêlho (Deixem-me Falar), mas o próprio país (Cuba) e o autor faz um trabalho de pesquisador. Ele olha a realidade de Cuba sem preconceito contra ou a favor. Wilson Coêlho se deixou levar pelo coração quando ele vê a condição das crianças. Dá a impressão de que temos um país que sobrevive apesar do “blocus continental” orquestrado pelo “Tio Sam” (desde que os USA boicotaram a Ilha) e Wilson Coêlho nos mostra que Cuba não é um país de delírio como a Coreia do Norte. Também não corteja os países dito ricos, e tem um vizinho que manda e desmanda no mundo. Leia

 

Prefácio

Tavares Bastos

Em pleno Renascimento, no limiar deste mesmo século, onde eram, aqui e ali, erguidas as últimas catedrais góticas no norte da França, com suas torres pontudas, em um outro hemisfério, até então habitado por tribos selvagens aparentadas com os povos mais longínquos do período para-asiático, os atos mais simples, os gestos mais normais de alguns europeus ali chegados tornar-se-iam de um significado insuspeito para a História daquelas terras distantes. (Tradução Anaximandro Amorim) Leia

 

A esquisita campanha contra a "AIDS"

Essa campanha publicitária contra a AIDS (síndrome de deficiência imunológica adquirida), que sempre acha hora e lugar entre as caríssimas programações de televisão, em todos os canais, me parece muito esquisita, para dizer o menos.

Afinal, o que é que desejam os promotores dessa campanha toda?

Em 1968, o mundo recebeu o choque de um novo comportamento social dos jovens, sob o lema “faça amor, não faça guerra”. Mas amor não dá lucros imediatos aos ávidos senhores do chamado complexo industrial-militar, nem aqui, nem nos States, nem na URSS, nem em parte alguma; o que “dá dinheiro”, mesmo, é armamento... Leia

 

Publicações capixabas coletivas

Pedro J. Nunes

As antologias entraram na história das publicações capixabas há 162 anos quando, no Ano da Graça de 1856, José Marcelino Pereira de Vasconcelos organizou a primeira coletânea reunindo escritores capixabas, o Jardim poético ou coleção de poesias antigas e modernas, compostas por naturais da província do Espírito Santo. Quatro anos depois, em 1860, viria a público o segundo volume. José Marcelino demonstrava conhecer o valor do que estava fazendo, consciente do futuro que sobreviria à sua antologia, mas revelava dificuldades na sua organização, quando, no prólogo, escrevia: “Um serviço importante presto nesta publicação à minha província; mas só o reconhecerão, depois que decorrerem séculos”. De fato, sendo a primeira, e numa terra cheia de dificuldades para a edição de um livro, não é difícil prever as dificuldades que ele enfrentou. Mas é inegável que, graças a seu esforço, preservou-se até nossos dias a memória de vários intelectuais e escritores que, de outra forma, teriam sido consumidos pela fumaça impiedosa do esquecimento. Leia

 

A biblioteca sobre o mar

Em 14 de março de 2019 a atual sede da Biblioteca Pública do Espírito Santo fez 40 anos. Rogério Coimbra relembra a data com sua palestra "A biblioteca sobre o mar", dentro da programação de "A máquina de escrever", um projeto de Sérgio Blank. Assista ao vídeo ou leia o texto original de Rogério Coimbra.

 

O neobarroco em Aninhanha

Josina Nunes Drumond

aninhanha

Neste trabalho, pretendemos percorrer algumas trilhas neobarrocas da obra Aninhanha, de Pedro José Nunes. Seguiremos traços conceituais, atentos à imponência do caminho e às flores que o bordejam: trata-se de figuras de estilo e de recursos estilísticos que embelezam a composição do ramalhete. Restringimo-nos à colheita das flores que enfeitam barrocamente as inúmeras sendas que se dispõem diante de nós. Tropeçamos em hibridismos linguísticos, escorregamos em distorções sintáticas, mas percorremos prazerosamente as trilhas que conduzem ao objetivo proposto. Devido à polissemia da obra, deparamos com inúmeras possibilidades de atalhos, nos quais corremos o risco de nos perder antes de retomar o caminho principal. Às vezes ficamos desnorteados diante de uma escritura labiríntica, fragmentária e hermética. Escolhemos apenas algumas “trilhas mais batidas”, ou seja, mais recorrentes e/ou relevantes, segundo nossa leitura, que, como toda leitura, é incompleta e lacunar. Leia

 

Contos de um capixaba espelhados na arte narrativa de Rubén Dario e Jorge Luiz Borges

Ester Abreu Vieira de Oliveira

Há, em uma obra de arte, uma integração com as outras obras do universo literário. O estado de legibilidade está no agrupamento da repetição, o que Julia Kristeva denomina “intertextualidade”. E, como é dentro de um sistema que se pode compreender melhor uma criação, juntamos aqui um terceto de escritores latino-americanos no gênero narrativo, reunidos não por usarem o mesmo código linguístico, mas por terem particularidades formais e temáticas semelhantes. Dois deles mundialmente conhecidos, o nicaraguense Rubén Darío e o argentino Jorge Luis Borges e um pertencente à literatura periférica, a do Espírito Santo, Luis Guilherme Santos Neves. Este último seleciona motivos de Borges e os (re)escreve. Porém, no entrecruzar das semelhanças e diferenças, apresenta-nos um texto original. A sua dívida aos dois escritores latino-americanos advém não da intenção de dependência cultural ou de um desejo de mutilação, mas de um diálogo declaradamente expresso com o argentino. Nele, via literariamente histórica, o horizonte periférico se estende até o escritor nicaraguense, impregnado de ideologia colonizadora. Com a técnica de reescrever Borges, o capixaba identifica-se, via Darío, com o universal. Dilacerando uma escritura, afirma a sua. Leia

 

Memória das cinzas

Luiz Guilherme Santos Neves

Livro integral

A substância deste romance é o sonho – e de qual romance não seria? Aliás, como é a da vida: “vida é sonho”. Sonho imemorial, sonhado por homens e artistas – a busca da transcendência. Buscamos constantemente nos elevar acima da nossa vida cotidiana por sabê-la limitada, provisória, suspensa por parco fio que um dia a Parca Átropos, a Inflexível, cortará. Nesse sentido podemos entender a máxima “vida breve, arte longa”: a existência individual passa rápido, mas a arte, se possuir valor estético e for compartilhada socialmente, costuma ter duração bem maior. (Fernando Achiamé) Leia

 

Recordações do futebol de Vitória

Ivan Borgo

Livro integral

Ivan Borgo diz que Recordações do futebol de Vitória é um livro impressionista. Garante que o futebol é apenas um pano de fundo, cenário que serviu para desfiar as recordações de uma Vitória nos anos 50/60, hoje quase mítica. Estou certo de que a maior parte dos leitores desta 3ª edição do livro ainda não havia desembarcado nesse “vale de lágrimas” quando Ivan começava a frequentar, lá em Jucutuquara, o estádio Governador Bley em busca das emoções que só aquele futebol, e o amado Rio Branco A.C., poderiam imprimir no coração de um jovem aprendiz de humanidades. Então, leitores, aproveitem, porque parte disso está gravado em preto e branco nas páginas deste livro, mais que impressionista, impressionante! Boa Leitura. (Caco Appel) Leia

 

160 anos de história: Biblioteca Pública do Espírito Santo

Vários autores

Livro integral

Na organização desta obra, que reúne escritores, professores e bibliotecários, escrevem as organizadoras: "Cabe-nos apresentar, nesta coletânea, uma síntese dos princípios que nortearam a Política de Preservação de Acervos da Biblioteca Pública do Espírito Santo, cujas ações têm sido decisivas para a consolidação da instituição não apenas como guardiã de um importante patrimônio do povo espírito-santense, mas também como referência local e nacional de sua memória e de sua identidade. Nessas ações assentam-se as bases de uma política cultural de valorização do conhecimento, da ciência e das artes voltada para o cumprimento de sua função social, qual seja a de assegurar acesso à informação e ao conhecimento para todos e contribuir para formar cidadãos mais críticos e qualificados para a vida em sociedade." Leia

 

A série Letras Capixabas: uma contextualização

Francisco Aurélio Ribeiro

Quero começar a contextualização da série Letras Capixabas pelas afirmações de Hallewell a respeito da situação do livro no Espírito Santo, neste século, para que melhor se vislumbre a situação de penúria e miséria editorial neste Estado até a criação da editora da Fundação Ceciliano Abel de Almeida-UFES, em novembro de 1978, cujos objetivos gerais eram “a redução do grande vazio editorial capixaba, publicando obras que venham enriquecer o patrimônio científico e cultural do Espírito Santo”. Leia

 

O assunto não é de hoje. Há 162 anos, ou seja, em 1856, ao apresentar a primeira antologia de que se tem notícia em terras capixabas, o Jardim poético ou coleção de poesias antigas e modernas, compostas por naturais da província do Espírito Santo, José Marcelino Pereira de Vasconcelos já conhecia as dificuldades em torno do livro, quando diz: “Um serviço importante presto nesta publicação à minha província; mas só o reconhecerão, depois que decorrerem séculos”. O assunto é a estrela de quase todos os encontros literários que se promovem de norte a sul. Newton Braga e Renato Pacheco, cada um a seu modo e a seu tempo, pensaram a respeito, e pensaram por escrito. Se a questão do livro é grave, conhecer a situação de outras épocas e confrontá-la com a nossa própria pode ser um bom ponto de partida para a busca de soluções. Por isso indicamos os artigos dos dois conhecidos escritores capixabas que legaram-nos suas reflexões a respeito.

Nem pro gasto, Newton Braga

Introdução à história do livro capixaba, Renato Pacheco

 

Roberto Almada

Ester Abreu

Roberto Almada (1935-1994), professor, crítico literário, dramaturgo, contista, romancista e poeta, nos deixou, também, comentários jornalísticos. Alguns de seus livros continuam inéditos. Em 1985, ganhou o Prêmio “Geraldo Costa Alves” com a obra O País d’el Rey & a casa imaginária, publicada, no ano seguinte, em 1986, pela FCAA-UFES.

Almada era escritor, mas um bom leitor. Apreciava os escritores ingleses, franceses e os hispânicos. Leia

 

Biblioteca Pública do Espírito Santo

Faça um passeio pela Biblioteca Pública do Espírito Santo com este vídeo produzido por Pedro J. Nunes, escritor residente da BPES. Assista

Colunas

 

Textos mais recentes

O pesadelo do fantasma

- Quero lhe contar meu pesadelo - disse o fantasma do centro histórico de Vitória puxando-me da escadaria da Misericórdia, por onde eu descia descuidado, para o jardinzinho contíguo e arbóreo, na cidade alta.

- Fantasmas têm pesadelos? - perguntei espantado e (a bem da verdade) interessado em ouvir o que ele tinha a dizer. Leia

 

 

Um olhar

O olhar da minha nonna quando eu tinha cinco ou seis anos é um velho tesouro que guardo comigo. Seria bem mais pobre se não pudesse contar com o estoque de ternura que essa avozinha italiana depositou em minha sensibilidade. Ela era pequenina, vestia uma roupa simples de camponesa com a saia quase arrastando no chão e usava um lenço branco na cabeça.

Nas festas de São Miguel colocava um lenço estampado de seda e isso era o máximo de vaidade que se permitia. Mas em compensação seu olhar era puro luxo. Havia nele uma sombra nostálgica, mas sobretudo era um olhar inteligente que chegava a mim com a marca da compreensão irrestrita.

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Aeroportos

Aeroportos sempre me evocam uma lembrança triste, como a de certa feita, anos atrás, quando após passar dez dias a trabalho no Nordeste, não encontrei a festa dos que aguardam no saguão de desembarque a chegada de alguém. Não vale a pena retornar se não há quem nos espere. Nada há mais triste do que tomar um táxi no aeroporto a caminho do nada. Melhor seria, certamente, virar nos calcanhares e tomar um voo para qualquer destino. Um olhar vazio combina com qualquer lonjura.

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Patrulha da família

Esses dias, a releitura do ótimo livro Patrulha da madrugada, do meu amigo escritor e especialista em aviação Álvaro Santos Silva, sobre os primórdios da aviação civil no Espírito Santo, me fez pensar nos aviões que me levaram e nos aeroportos por onde andei, em momentos inesquecíveis durante minhas décadas de viajante aéreo.

Faz muito tempo, eu era bem pequeno e minha memória já não funciona muito bem, mas com esforço lembrei que da primeira vez que fui a um aeroporto, acho que em 1958, tinha cinco anos e estava embarcando – com minha mãe, Rosa Maria e meus dois irmãos: Maria Luiza, de três anos e Henrique de colo – para Macapá, no Território Federal do Amapá. Leia