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O desejo aprisionado

Marcela Guimarães Neves

Ao som de um pássaro matinal, um doce intruso que me traz de volta das ilusões dos sonhos para as incertezas do mundo, levanto-me no alvorecer. O canto melódico da ave da aurora desperta em mim um desejo de liberdade, uma vontade de quebrar as regras da rotina, um ímpeto de poesia.

Acostumada a ouvir com atenção os chamados da intuição, e tomada por um impulso divergente, abro as primeiras páginas do livro escolhido. A obra O desejo aprisionado, de Deny Gomes (2ª ed., 2015, Secult), já me explica, em seu poema de abertura, denominado “Femina” (p.13), que a mulher é pura - mas não simplesmente - “contradição bem definível”. Leia

 

Ainda a tradução (3)

Em artigos anteriores eu escrevi, aqui em A ORDEM, sobre tradução: da tradução como ocupação que não requer “presença” do trabalhador junto à empresa para a qual trabalha e, que, por isso, poderia ser exercida por alguns calçadenses de boa vontade e de boa formação... Falei, em meus artigos anteriores, de como eu próprio vivi uns tempos complementando meu orçamento doméstico com o que eu ganhava na qualidade de tradutor. Contei, também, que eu próprio nunca vivi exclusivamente disso: sempre tive a tradução como um “bico”, um complemento financeiro, por assim dizer... Mas tenho amigos, no Rio de Janeiro e em São Paulo, que não fazem outra coisa senão traduzir. Leia

 

Livro novíssimo: poemas

Marcela Guimarães Neves

De que matéria é feita a poesia? Que substrato dá corpo à linguagem poética? De onde vem a centelha incandescente que anima a alma do poeta diante da página em branco? A essas perguntas resposta simples não se encontra, ou talvez seja justamente no simples, na simplicidade, que a poesia confecciona o seu complexo ninho. Estará ela nas borboletas renovadoras de Manoel de Barros? No gole d’água bebido no escuro por Mario Quintana? Topa com a pedra no meio do caminho do deserto de Itabira de Carlos Drummond de Andrade? Passeia pelos canais da Veneza americana de Manoel Bandeira ou chafurda na lama-mucosa do mangue recifense de João Cabral de Melo Neto? Leia

 

A autenticidade é loira

Entrevista de Jeanne Bilich a Sidemberg Rodrigues e Fernando Cardoso

Livre pensadora, libertária, intelectual orgânica... curiosa por natureza, cronista concisa, apresentadora carismática, radialista inesquecível e observadora arguta. Talvez essas expressões possam definir algumas de suas facetas, mas nunca resumiriam a jornalista e escritora Jeanne Bilich, falecida este ano, vítima do câncer de pulmão. Avessa à censura e a qualquer forma de filtro, sua autenticidade conflitava com os adeptos de farsas, panos quentes, relações “estratégicas” e com toda falta de sintonia com sua inquestionável transparência - e integridade! Fiel a si mesma lidou com a morte de forma direta – e mesmo surpreendente! – comprovando que os que “vivem como gostariam” têm a prenda da serenidade e do desprendimento no crepúsculo da vida. Leia

 

O macho falido

Anaximandro Amorim

Fernando Fardin (1983) é capixaba de Castelo. Bacharel em Direito e servidor público do TRT da 17ª Região (Espírito Santo), o autor estreia na literatura com um recolho de 12 contos, intitulado Aonde o sol não vai, lançado em 2021, pela Páginas Editora, de Belo Horizonte. Todos os textos têm como protagonista o jovem historiador Genaro Caliman, carioca que vem dar com seus costados em terras capixabas, vivendo, neste rincão, uma série de desventuras politicamente incorretas, que mostram, em última análise, um retrato deste nosso começo de século. Leia

 

Breves notas quase-literárias

Marcela Guimarães Neves

É de uma aldeia cálida da América do Sul, mais precisamente da cidade de Colatina, a dita “princesa do norte espírito-santense”, que partimos, por meio da leitura de Breves notas quase-literárias, (2) do magistrado, historiador, escritor e professor Getúlio Marcos Pereira Neves, para uma deliciosa viagem rumo às terras de além-mar.

O ponto de partida, embora resplandecendo os encantos de seus famosos crepúsculos, conta-nos sobre uma época em que, para garantir o bom funcionamento de certas atividades estatais, não se dispensava o “recurso ao Colt.” Leia

 

Ainda a tradução (2)

Voltemos à chamada “vaca fria”, isto é, ao assunto de que tratávamos na semana passada: a tradução.

Ia eu dizendo então que o “bom” tradutor há de dominar um pouquinho melhor a língua para a qual traduz (também denominada, tecnicamente, língua de chegada ou língua meta ou língua alvo; em francês langue d’arrivée; em alemão Ziel Sprache; em inglês target language; em espanhol lengua de llegada), e ligeiramente menos bem a língua da qual traduz (também denominada, em termos técnicos, língua partida ou língua fonte; em francês langue de départ; em alemão Ausgang Sprache; em inglês source language; em espanhol lengua de origen). Leia

 

Manguinhos do nome e da origem

Luiz Guilherme Santos Neves

Existe na geografia do Estado do Espírito Santo um rio chamado Manguinhos. A rigor, nem chega a ser rio, mas apenas um riacho de águas cor de cobre que languidamente se esvaem para o mar.

Não satisfeito com a cor excepcional de que se reveste, e da pacatez do seu curso desacelerado e manso, o rio (que seja assim respeitosamente chamado) dá-se ao luxo de desaguar em meio a um tapetão de negros arrecifes que enobrecem a sua foz. Leia

 

Salmos da montanha

Fábio Daflon

Com que salmos, suratas, analectos ou bagavadeguitás se pode expressar o saber a fé? Em que boa companhia a fé pode estar? Num dos versículos mais belos do Alcorão está escrito: “Se os oceanos fossem feitos de tintas, elas seriam insuficientes para descrever a fé do Islã.” Imaginem então a dificuldade atinente a resenhar o livro Salmos da montanha, de Matusalém Dias de Moura, que, essencialmente, e com que essência, é um livro sobre profissão de fé. Leia

 

Ainda a tradução (1)

Perdoem-me meus concidadãos por eu insistir no tema – ou na tecla – da tradução: faço-o por ver que a tradução pode vir a ser o ganha-pão de muitos calçadenses, os quais nem por isso teriam de afastar-se de nossa pequena e tão simpática cidade capixaba. Leia

 

Historiográficas fotos de botocudos do Espírito Santo

Luiz Guilherme Santos Neves

Os conflitos entre os botocudos do vale do Rio Doce, no Espírito Santo, e os colonizadores da região têm um passivo de séculos de História com raízes na “guerra justa” ou “guerra ofensiva” desencadeada contra aqueles indígenas desde a chegada de D. João ao Brasil e desde a fundação de Linhares.

No caso do Espírito Santo, foi a fim de sustentar o combate contra o botocudo, refratário à adaptação civilizatória, que quarteis militares foram criados no vale do Rio Doce, o que resultou no incremento dos embates com os indígenas. Leia

 

Um livro sobre a discografia da música produzida no Espírito Santo

Contar a trajetória da música popular no Espírito Santo por meio de sua produção fonográfica: este é o tema do novo livro do jornalista e escritor José Roberto Santos Neves, Os sons da memória – uma leitura crítica de 40 discos que marcaram época na música do Espírito Santo, selecionado pelo Edital de Produção e Difusão Literária 018/2019 da Secretaria de Estado da Cultura.

Sexto livro de José Roberto Santos Neves, Os sons da memória é resultado de uma extensa pesquisa desenvolvida pelo autor sobre a música popular produzida no Estado, com foco em seus principais personagens. Leia

 

Lembranças de meu pai

Ivan Borgo

A primeira caminhada da manhã acabava na padaria, um casarão amarelo de portas altas. Ali eram assados os pães que a vila saboreava com os bules de café novo em cima das mesas.

Eles fabricavam um pão chamado “mimoso”, macio e muito branco onde a manteiga se esparramava na quentura da massa. Comer aqueles pães era a primeira sensação agradável das manhãs, especialmente daqueles dias frios, porque logo vinha do estômago um calor muito bom. Leia

 

Uma guinada de 180º graus na pesquisa do folclore capixaba

Nesta matéria especial, o escritor Luiz Guilherme Santos Neves relata como o gravador de fio Webster Chicago revolucionou a pesquisa sobre o folclore capixaba. É também um relato afetivo a respeito do trabalho de seu pai, Guilherme Santos Neves, na incansável pesquisa sobre o nosso folclore. Veja

 

Queimados: documento cênico

Luiz Guilherme Santos Neves

Livro integral

Reedição online da peça do escritor e historiador Luiz Guilherme Santos Neves sobre um tema importante da história do Espírito Santo: a Insurreição do Queimado, levante de escravos ocorrido em 1849 no município da Serra. Na peça publicada em 1977, a que o autor acrescenta o modesto subtítulo documento cênico, vemos os fatos se desenrolando na voz de seus protagonistas. Sobre esse levante de escravos, o autor já escreveu duas outras obras: o romance O templo e a forca e o ensaio histórico Queimado: a insurreição que virou mito, dentro da coleção Memória capixaba. Leia

 

Dez anos sem Renato Pacheco

Em março de 2014 completaram-se dez anos do falecimento do escritor capixaba Renato Pacheco. Reunidos na Biblioteca Pública do Espírito Santo, os escritores Luiz Guilherme Santos Neves, Getúlio Neves, Marilena Soneghet e Oscar Gama Filho o homenageiam. Assista

 

Sabores capixabas de sempre

Getúlio Neves

Gastronomia atualmente é moda. Alta cozinha, como a alta costura, é produto de luxo e trunfo do mercado de turismo. As escolas de culinária se multiplicam, os grandes chefs tornam-se ídolos pop, e é assim em toda parte. Pelos mais eruditos as regiões geográficas e as comunidades populacionais são associadas ao “prato típico”: acarajé, tacacá, churrasco, tutu, torta e moqueca capixaba. Leia  

 

A Revista da Academia Espírito-santense de Letras

Francisco Aurelio Ribeiro

A Academia Espírito-santense de Letras foi criada em 04 de setembro de 1921 e, diferente do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo, cuja fundação ocorreu cinco anos antes, seus primeiros membros não pensaram ou viabilizaram uma revista para a publicação dos trabalhos e criações literárias de seus sócios. Assim, muito se perdeu da escrita produzida pelos primeiros ocupantes de suas cadeiras, infelizmente. Apenas setenta anos depois, em 1991, saiu uma revista especial da AEL, comemorativa do seu septuagésimo aniversário, na gestão do Dr. José Moysés e tendo como editor Marien Calixte. Leia

 

A biblioteca sobre o mar

Em 14 de março de 2019 a atual sede da Biblioteca Pública do Espírito Santo fez 40 anos. Rogério Coimbra relembra a data com sua palestra "A biblioteca sobre o mar", dentro da programação de "A máquina de escrever", um projeto de Sérgio Blank. Assista ao vídeo ou leia o texto original de Rogério Coimbra.

 

O neobarroco em Aninhanha

Josina Nunes Drumond

aninhanha

Neste trabalho, pretendemos percorrer algumas trilhas neobarrocas da obra Aninhanha, de Pedro José Nunes. Seguiremos traços conceituais, atentos à imponência do caminho e às flores que o bordejam: trata-se de figuras de estilo e de recursos estilísticos que embelezam a composição do ramalhete. Restringimo-nos à colheita das flores que enfeitam barrocamente as inúmeras sendas que se dispõem diante de nós. Tropeçamos em hibridismos linguísticos, escorregamos em distorções sintáticas, mas percorremos prazerosamente as trilhas que conduzem ao objetivo proposto. Devido à polissemia da obra, deparamos com inúmeras possibilidades de atalhos, nos quais corremos o risco de nos perder antes de retomar o caminho principal. Às vezes ficamos desnorteados diante de uma escritura labiríntica, fragmentária e hermética. Escolhemos apenas algumas “trilhas mais batidas”, ou seja, mais recorrentes e/ou relevantes, segundo nossa leitura, que, como toda leitura, é incompleta e lacunar. Leia

 

A série Letras Capixabas: uma contextualização

Francisco Aurélio Ribeiro

Quero começar a contextualização da série Letras Capixabas pelas afirmações de Hallewell a respeito da situação do livro no Espírito Santo, neste século, para que melhor se vislumbre a situação de penúria e miséria editorial neste Estado até a criação da editora da Fundação Ceciliano Abel de Almeida-UFES, em novembro de 1978, cujos objetivos gerais eram “a redução do grande vazio editorial capixaba, publicando obras que venham enriquecer o patrimônio científico e cultural do Espírito Santo”. Leia

 

O assunto não é de hoje. Há 162 anos, ou seja, em 1856, ao apresentar a primeira antologia de que se tem notícia em terras capixabas, o Jardim poético ou coleção de poesias antigas e modernas, compostas por naturais da província do Espírito Santo, José Marcelino Pereira de Vasconcelos já conhecia as dificuldades em torno do livro, quando diz: “Um serviço importante presto nesta publicação à minha província; mas só o reconhecerão, depois que decorrerem séculos”. O assunto é a estrela de quase todos os encontros literários que se promovem de norte a sul. Newton Braga e Renato Pacheco, cada um a seu modo e a seu tempo, pensaram a respeito, e pensaram por escrito. Se a questão do livro é grave, conhecer a situação de outras épocas e confrontá-la com a nossa própria pode ser um bom ponto de partida para a busca de soluções. Por isso indicamos os artigos dos dois conhecidos escritores capixabas que legaram-nos suas reflexões a respeito.

Nem pro gasto, Newton Braga

Introdução à história do livro capixaba, Renato Pacheco

Colunas

 

Textos mais recentes

O trágico fim do centro histórico de Vitória

- Você ainda fuma, meu ínclito? – perguntou o fantasma do centro histórico de Vitória.

Eu estava contemplando várias embalagens de antigos maços de cigarros, numa exposição realizada sob a iniciativa de uma entidade de combate ao câncer que mostrava a antiguidade dos males que o fumo causa à saúde humana quando o fantasma saiu-se com a pergunta com que me fumegou. Leia

 

Lembranças de meu pai

Ivan Borgo

A primeira caminhada da manhã acabava na padaria, um casarão amarelo de portas altas. Ali eram assados os pães que a vila saboreava com os bules de café novo em cima das mesas.

Eles fabricavam um pão chamado “mimoso”, macio e muito branco onde a manteiga se esparramava na quentura da massa. Comer aqueles pães era a primeira sensação agradável das manhãs, especialmente daqueles dias frios, porque logo vinha do estômago um calor muito bom. Leia

 

Livros incomodam

Ano passado li Fahrenheit 451, do escritor norte-americano Ray Bradbury. O tema principal do romance publicado em 1953 é um melancólico mundo sem o objeto que tem sido o inseparável companheiro da evolução humana e um dos mais fascinantes objetos de desejo da humanidade, o livro. Um outro aspecto do romance é o acerto com que fala de fatos do futuro que não são de todo impossíveis e, pior, sessenta e sete anos depois de ter sido publicado o livro, já podem ter começado a acontecer. Leia

 

Patrulha da família

Esses dias, a releitura do ótimo livro Patrulha da madrugada, do meu amigo escritor e especialista em aviação Álvaro Santos Silva, sobre os primórdios da aviação civil no Espírito Santo, me fez pensar nos aviões que me levaram e nos aeroportos por onde andei, em momentos inesquecíveis durante minhas décadas de viajante aéreo.

Faz muito tempo, eu era bem pequeno e minha memória já não funciona muito bem, mas com esforço lembrei que da primeira vez que fui a um aeroporto, acho que em 1958, tinha cinco anos e estava embarcando – com minha mãe, Rosa Maria e meus dois irmãos: Maria Luiza, de três anos e Henrique de colo – para Macapá, no Território Federal do Amapá. Leia

 

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