Poesia fêmea

Anaximandro Amorim

Renata Bomfim (Vitória/ES, 21 de novembro de 1972) é poetisa, professora, educadora ambiental e doutora em estudos literários pela Universidade Federal do Espírito Santo. Membro da Academia Feminina Espírito-santense de Letras, tendo, também, presidido a instituição e organizado uma das edições da Feira Literária Capixaba (a Flic-ES), Bomfim é autora de quatro livros, todos recolhos poéticos. O coração da Medusa (2021), seu mais recente trabalho, é um volume de 157 páginas. Leia

 

Sérgio Blank – o irmão da poesia

Eliane Lordello

Sérgio Luiz Blank, nascido a 7 de abril de 1964 em Cariacica, Espírito Santo, foi um poeta capixaba. Exemplar da descendência da imigração alemã oitocentista no Espírito Santo, Sérgio tinha pele alvinitente, olhos azuis e cabelo louro. Na adolescência, vestia-se sempre de preto, o que, em contraste com o fenótipo que acabei de descrever, granjeou-lhe o apelido de Nosferatu. Foi assim que o conheci, no antigo bar Adega, em Jardim da Penha, Vitória. Tendo se dedicado à poesia desde a adolescência, Sérgio publicou, em 1984, aos vinte anos de idade, o seu primeiro livro: Estilo de ser assim, tampouco. Leia

 

Traduções de A METAMORFOSE de Kafka

Talvez não se ache, entre as pessoas dadas a leituras, por assim dizer, nenhuma que não tenha ouvido falar, pelo menos, na estranha novela Die verwandlung, do tcheco Franz Kafka; essa novela já foi traduzida em português, algumas vezes, e em outros idiomas conhecidos nossos, quase sempre com o título A metamorfose; The metamorphosis em inglês, La métamorphose em francês, La metamorfosis em espanhol, etc. Leia

 

Ninguém pode com Nara Leão - uma biografia

Marcela Guimarães Neves

 

Dia de luz, festa de sol, e de um dos apartamentos do edifício Champs-Élysées, na avenida Atlântica, mais precisamente em frente ao Posto 4 de Copacabana, ouvia-se um barquinho navegar ao som do violão de Nara Leão. De fato, a música dos compositores Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli foi o marco do novo estilo que surgia nos idos de 1957: a Bossa Nova. Leia

 

Uma guinada de 180º graus na pesquisa do folclore capixaba

Nesta matéria especial, o escritor Luiz Guilherme Santos Neves relata como o gravador de fio Webster Chicago revolucionou a pesquisa sobre o folclore capixaba. É também um relato afetivo a respeito do trabalho de seu pai, Guilherme Santos Neves, na incansável pesquisa sobre o nosso folclore. Veja

 

Primeiro documento historiográfico sobre o Espírito Santo

Luiz Guilherme Santos Neves

Em 1812, o bispo D. José Caetano da Silva Coutinho desembarcou no cais do Palácio do Governo, futuro cais das Colunas, depois do Imperador, na ilha de Vitória. Vinha em missão de pastoreio sacerdotal e, como lhe competia, registrava, bênção por bênção, os aspectos marcantes da viagem.

Dos integrantes da ilustre comitiva que o foram recepcionar, o prelado citou os nomes, os cargos ou funções de vários deles, dentre os quais, além do “governador novo de oito dias, Francisco Alberto Rubim”, estava “o coronel ex-governador Monjardim”. Leia

 

Queimados: documento cênico

Luiz Guilherme Santos Neves

Livro integral

Reedição online da peça do escritor e historiador Luiz Guilherme Santos Neves sobre um tema importante da história do Espírito Santo: a Insurreição do Queimado, levante de escravos ocorrido em 1849 no município da Serra. Na peça publicada em 1977, a que o autor acrescenta o modesto subtítulo documento cênico, vemos os fatos se desenrolando na voz de seus protagonistas. Sobre esse levante de escravos, o autor já escreveu duas outras obras: o romance O templo e a forca e o ensaio histórico Queimado: a insurreição que virou mito, dentro da coleção Memória capixaba. Leia

 

Dez anos sem Renato Pacheco

Em março de 2014 completaram-se dez anos do falecimento do escritor capixaba Renato Pacheco. Reunidos na Biblioteca Pública do Espírito Santo, os escritores Luiz Guilherme Santos Neves, Getúlio Neves, Marilena Soneghet e Oscar Gama Filho o homenageiam. Assista

 

Sabores capixabas de sempre

Getúlio Neves

Gastronomia atualmente é moda. Alta cozinha, como a alta costura, é produto de luxo e trunfo do mercado de turismo. As escolas de culinária se multiplicam, os grandes chefs tornam-se ídolos pop, e é assim em toda parte. Pelos mais eruditos as regiões geográficas e as comunidades populacionais são associadas ao “prato típico”: acarajé, tacacá, churrasco, tutu, torta e moqueca capixaba. Leia  

 

A Revista da Academia Espírito-santense de Letras

Francisco Aurelio Ribeiro

A Academia Espírito-santense de Letras foi criada em 04 de setembro de 1921 e, diferente do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo, cuja fundação ocorreu cinco anos antes, seus primeiros membros não pensaram ou viabilizaram uma revista para a publicação dos trabalhos e criações literárias de seus sócios. Assim, muito se perdeu da escrita produzida pelos primeiros ocupantes de suas cadeiras, infelizmente. Apenas setenta anos depois, em 1991, saiu uma revista especial da AEL, comemorativa do seu septuagésimo aniversário, na gestão do Dr. José Moysés e tendo como editor Marien Calixte. Leia

 

O fim da nau

Erlon José Paschoal

Todos conhecem a destreza narrativa de Luiz Guilherme Santos Neves - escritor e historiador com vários livros publicados -, sobretudo através de sua obra O capitão do fim, narrada na primeira pessoa pelo primeiro donatário da Capitania do Espírito Santo, o próprio Vasco Fernandes Coutinho, após a sua morte - relatos póstumos como se fosse um Brás Cubas capixaba -, que flui levemente com sua  estrutura épica ágil e, ao mesmo tempo, distanciada e elucidativa. Leia

 

No Centenário da Academia Espírito-Santense de Letras

Getúlio Neves

2021 marca o centenário de fundação da Academia Espírito-santense de Letras, que por este motivo quer dar-se a conhecer mais de perto aos capixabas.

De início, põe-se a questão da data de fundação: iniciadas reuniões preparatórias a 31/07/1921, a 04/09 eram aprovados os estatutos. A instalação se deu a 28/09/1923, sob a presidência de D. Benedito Paulo Alves de Souza, 3.º bispo do Espírito Santo. A multiplicidade de datas gerou dúvidas sobre qual considerar como marco inicial. Só em 1975 foi-se a fundo na questão, definindo-se 04/09 como sendo a fundação. Desde então esta é a data magna da nossa casa de letras. Leia

 

A névoa, o menino e o embornal

Fábio Daflon

Lançado em 2020, no, literariamente, profícuo ano da literatura capixaba, o livro A névoa, o menino e o embornal, de Matusalém Dias de Moura, se nos afigura quase como um perfil do autor. Mas o perfil, se nos reportarmos à Idade Média, era como se pintavam os retratos naquele tempo. Na orelha do livro, o retrato do autor está em oblíquo, a orelha esquerda dele aparece e a direita mostra apenas pequeno pedaço do pavilhão auditivo. O mais é o olhar cativante e o sorriso largo sob o nariz anasalado que desconhece a empáfia. Hilda Hilst, citada de memória, certa vez disse que o leitor não deve conhecer o autor para não se desapontar. Além de conhecer o procurador da Assembleia Legislativa do Espírito Santo, sabia-o, até então, principalmente poeta de variados estilos, autor de haicais singelos, quadras e trovas e sonetos, nunca lera antes nenhum dos seus livros de prosa, sei agora que já publicou cerca de trinta títulos. Leia

 

A biblioteca sobre o mar

Em 14 de março de 2019 a atual sede da Biblioteca Pública do Espírito Santo fez 40 anos. Rogério Coimbra relembra a data com sua palestra "A biblioteca sobre o mar", dentro da programação de "A máquina de escrever", um projeto de Sérgio Blank. Assista ao vídeo ou leia o texto original de Rogério Coimbra.

 

O neobarroco em Aninhanha

Josina Nunes Drumond

aninhanha

Neste trabalho, pretendemos percorrer algumas trilhas neobarrocas da obra Aninhanha, de Pedro José Nunes. Seguiremos traços conceituais, atentos à imponência do caminho e às flores que o bordejam: trata-se de figuras de estilo e de recursos estilísticos que embelezam a composição do ramalhete. Restringimo-nos à colheita das flores que enfeitam barrocamente as inúmeras sendas que se dispõem diante de nós. Tropeçamos em hibridismos linguísticos, escorregamos em distorções sintáticas, mas percorremos prazerosamente as trilhas que conduzem ao objetivo proposto. Devido à polissemia da obra, deparamos com inúmeras possibilidades de atalhos, nos quais corremos o risco de nos perder antes de retomar o caminho principal. Às vezes ficamos desnorteados diante de uma escritura labiríntica, fragmentária e hermética. Escolhemos apenas algumas “trilhas mais batidas”, ou seja, mais recorrentes e/ou relevantes, segundo nossa leitura, que, como toda leitura, é incompleta e lacunar. Leia

 

A série Letras Capixabas: uma contextualização

Francisco Aurélio Ribeiro

Quero começar a contextualização da série Letras Capixabas pelas afirmações de Hallewell a respeito da situação do livro no Espírito Santo, neste século, para que melhor se vislumbre a situação de penúria e miséria editorial neste Estado até a criação da editora da Fundação Ceciliano Abel de Almeida-UFES, em novembro de 1978, cujos objetivos gerais eram “a redução do grande vazio editorial capixaba, publicando obras que venham enriquecer o patrimônio científico e cultural do Espírito Santo”. Leia

 

O assunto não é de hoje. Há 162 anos, ou seja, em 1856, ao apresentar a primeira antologia de que se tem notícia em terras capixabas, o Jardim poético ou coleção de poesias antigas e modernas, compostas por naturais da província do Espírito Santo, José Marcelino Pereira de Vasconcelos já conhecia as dificuldades em torno do livro, quando diz: “Um serviço importante presto nesta publicação à minha província; mas só o reconhecerão, depois que decorrerem séculos”. O assunto é a estrela de quase todos os encontros literários que se promovem de norte a sul. Newton Braga e Renato Pacheco, cada um a seu modo e a seu tempo, pensaram a respeito, e pensaram por escrito. Se a questão do livro é grave, conhecer a situação de outras épocas e confrontá-la com a nossa própria pode ser um bom ponto de partida para a busca de soluções. Por isso indicamos os artigos dos dois conhecidos escritores capixabas que legaram-nos suas reflexões a respeito.

Nem pro gasto, Newton Braga

Introdução à história do livro capixaba, Renato Pacheco

Colunas

 

Textos mais recentes

O trágico fim do centro histórico de Vitória

- Você ainda fuma, meu ínclito? – perguntou o fantasma do centro histórico de Vitória.

Eu estava contemplando várias embalagens de antigos maços de cigarros, numa exposição realizada sob a iniciativa de uma entidade de combate ao câncer que mostrava a antiguidade dos males que o fumo causa à saúde humana quando o fantasma saiu-se com a pergunta com que me fumegou. Leia

 

Em qualquer parte da Europa

Antes da deflagração da Segunda Guerra Mundial, Stefan Zweig escrevia, referindo-se à situação europeia, que o velho continente estava sofrendo de violenta intoxicação. O ódio que por questões de estratégia havia sido insuflado ao máximo no período das lutas da Primeira Guerra perdurava ainda como negra herança, envenenando o espírito da nova geração que surgia. E o escritor austríaco exorta as classes dirigentes no sentido de que “... a nova educação deve principiar por uma concepção diferente da história, isto é, acentuar mais os pensamentos básicos, a comunidade entre os povos da Europa, do que suas antíteses. Esta concepção foi até agora obscurecida por uma compreensão puramente nacional e política da história”. Leia

 

Livros incomodam

Ano passado li Fahrenheit 451, do escritor norte-americano Ray Bradbury. O tema principal do romance publicado em 1953 é um melancólico mundo sem o objeto que tem sido o inseparável companheiro da evolução humana e um dos mais fascinantes objetos de desejo da humanidade, o livro. Um outro aspecto do romance é o acerto com que fala de fatos do futuro que não são de todo impossíveis e, pior, sessenta e sete anos depois de ter sido publicado o livro, já podem ter começado a acontecer. Leia

 

Patrulha da família

Esses dias, a releitura do ótimo livro Patrulha da madrugada, do meu amigo escritor e especialista em aviação Álvaro Santos Silva, sobre os primórdios da aviação civil no Espírito Santo, me fez pensar nos aviões que me levaram e nos aeroportos por onde andei, em momentos inesquecíveis durante minhas décadas de viajante aéreo.

Faz muito tempo, eu era bem pequeno e minha memória já não funciona muito bem, mas com esforço lembrei que da primeira vez que fui a um aeroporto, acho que em 1958, tinha cinco anos e estava embarcando – com minha mãe, Rosa Maria e meus dois irmãos: Maria Luiza, de três anos e Henrique de colo – para Macapá, no Território Federal do Amapá. Leia

 

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