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Todas elas, agora

Marcela Guimarães Neves

O destino de cada um de nós está traçado. A linha da vida, fiada com esmero pelas três Moiras, será por elas cortada ao fim de nossa existência. Mulheres como potências criativas ou algozes da destruição. Mulheres cruzando os caminhos masculinos, escrevendo ou apagando intenções, sentimentos, pensamentos de vida e de morte.

No livro Todas elas, agora, do brilhante professor, escritor e ex-secretário de cultura do município de Vitória Francisco Grijó, as mulheres são um objeto de fina análise, de uma verdadeira dissecação à lupa de quem evidencia o costume de vê-las sob vários ângulos, numa profusão de minúcias, embora caracterizadoras apenas de uma parcela daquelas que podem ser denominadas “mulheres”. Leia

 

Aninhanha: uma tragédia do feminino

Andréa Gimenez Mascarenhas

“Se não tiver pecados atire a primeira pedra” (p. 25).

Após uma primeira leitura do romance Aninhanha, do escritor Pedro J. Nunes, algo ficou insistindo para que fosse colocado em palavras. O que da obra causou tal ressonância? Como expressar em palavras, impressões tão vívidas? Um texto forte, impactante, que, como bem coloca Carlos Nejar em sua apresentação da obra, caminha entre Rosa, Clarice, Beckett e Joyce, mas traz a marca do autor, no grito da própria criatura. Ouso acrescentar ainda, Eurípedes e sua Medeia, como um possível ponto de inquietação que fez despertar em mim a dimensão trágica do texto de Nunes. Leia

 

O desejo aprisionado

Marcela Guimarães Neves

Ao som de um pássaro matinal, um doce intruso que me traz de volta das ilusões dos sonhos para as incertezas do mundo, levanto-me no alvorecer. O canto melódico da ave da aurora desperta em mim um desejo de liberdade, uma vontade de quebrar as regras da rotina, um ímpeto de poesia.

Acostumada a ouvir com atenção os chamados da intuição, e tomada por um impulso divergente, abro as primeiras páginas do livro escolhido. A obra O desejo aprisionado, de Deny Gomes (2ª ed., 2015, Secult), já me explica, em seu poema de abertura, denominado “Femina” (p.13), que a mulher é pura - mas não simplesmente - “contradição bem definível”. Leia

 

Livro novíssimo: poemas

Marcela Guimarães Neves

De que matéria é feita a poesia? Que substrato dá corpo à linguagem poética? De onde vem a centelha incandescente que anima a alma do poeta diante da página em branco? A essas perguntas resposta simples não se encontra, ou talvez seja justamente no simples, na simplicidade, que a poesia confecciona o seu complexo ninho. Estará ela nas borboletas renovadoras de Manoel de Barros? No gole d’água bebido no escuro por Mario Quintana? Topa com a pedra no meio do caminho do deserto de Itabira de Carlos Drummond de Andrade? Passeia pelos canais da Veneza americana de Manoel Bandeira ou chafurda na lama-mucosa do mangue recifense de João Cabral de Melo Neto? Leia

 

O macho falido

Anaximandro Amorim

Fernando Fardin (1983) é capixaba de Castelo. Bacharel em Direito e servidor público do TRT da 17ª Região (Espírito Santo), o autor estreia na literatura com um recolho de 12 contos, intitulado Aonde o sol não vai, lançado em 2021, pela Páginas Editora, de Belo Horizonte. Todos os textos têm como protagonista o jovem historiador Genaro Caliman, carioca que vem dar com seus costados em terras capixabas, vivendo, neste rincão, uma série de desventuras politicamente incorretas, que mostram, em última análise, um retrato deste nosso começo de século. Leia

 

Breves notas quase-literárias

Marcela Guimarães Neves

É de uma aldeia cálida da América do Sul, mais precisamente da cidade de Colatina, a dita “princesa do norte espírito-santense”, que partimos, por meio da leitura de Breves notas quase-literárias, (2) do magistrado, historiador, escritor e professor Getúlio Marcos Pereira Neves, para uma deliciosa viagem rumo às terras de além-mar.

O ponto de partida, embora resplandecendo os encantos de seus famosos crepúsculos, conta-nos sobre uma época em que, para garantir o bom funcionamento de certas atividades estatais, não se dispensava o “recurso ao Colt.” (p. 12) Leia

 

Mutações: entre o sonho e a poesia

Andréa Gimenez Mascarenhas

Versos em diferentes matizes de verdes e azuis emergem da tela de Van Gogh, “Barcos de pesca no mar” (1888), tela esta que não por acaso ilustra a capa deste livro de poemas intitulado Mutações. A autora, Ester Abreu Vieira de Oliveira, possui uma biografia que engrandece o cenário da literatura produzida no estado do Espírito Santo e extrapola o território nacional, sendo reconhecida em outros países, principalmente de língua hispânica. No entanto, para muito além de sua rica biografia como escritora, docente e integrante de diversas instituições literárias e culturais, Ester Abreu é uma pescadora de sonhos e nos leva por uma imensidão de verde-azul a sonhar. O leitor é convidado a um mergulho de corpo e alma numa espécie de vórtice das palavras. Leia

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Esta é uma publicação de cooperação entre o site Tertúlia e o clube de leitura Leia Capixabas.

Editor responsável: Anaximandro Amorim

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