A capixabíssima muma de siri

Fernando Achiamé

A palavra “muma” e a expressão “muma de siri” não constam dos dicionários. Nem do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa – o VOLP, elaborado e mantido pela Academia Brasileira de Letras. Tal realidade se constitui em mais um indício de que essa palavra tem circulação restrita a certas regiões do Estado do Espírito Santo. Esperamos que um dia o vocábulo “muma” esteja dicionarizado. No entanto, os capixabas do litoral, ao menos os que saboreiam as receitas típicas da nossa culinária, sabem muito bem o que significa muma de siri – um delicioso prato. Feito à base de fruto do mar, seu consumo no tempo da Quaresma é mais corriqueiro.

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De "Oh, Suzana" a Luz em agosto

Luis Guilherme Santos Neves

Talvez tenha sido no Espírito Santo onde se cantou em inglês pela primeira vez no Brasil a conhecida canção norte-americana “Oh, Suzana, não chore por mim” - e cantada poucos anos depois de composta por Stephen Collins Foster.

O autor – está no Google para quem quiser consultar – foi considerado o "pai da música norte-americana", nascido em 4 de julho de 1826 e falecido em 13 de janeiro de 1864. Suas canções, incluindo “Oh, Suzanna”, "Camptown Races", "My Old Kentucky Home", "Old Black Joe", "Beautiful Dreamer", "Old Folks at Home", "Swanee River" permanecem populares até hoje.  

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Antiguidade do artesanato das paneleiras de Goiabeiras, em Vitória

Luiz Guilherme Santos Neves

Já tive oportunidade de escrever que artesão é o João-de-barro, que constrói sua casa no bico. Mas se me restringisse a esta afirmativa estaria sendo profundamente injusto com os demais artesãos e artesãs que usam das mãos para fazer suas belas artes, inclusive as tradicionais panelas de Goiabeiras, em Vitória. E teriam elas todo o direito de se sentir ofendidas. Portanto, apresso-me em dizer que se o João-de-barro é o precursor do artesanato de barro na história do mundo, também é antiga a arte ceramista das paneleiras de Goiabeiras. 

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Chove-chuva

Luiz Guilherme Santos Neves

A velha recorrência às procissões petitórias de chuva, lídima herança que chegou ao Brasil via Portugal, foi sendo gradativamente abandonada e esquecida nos grandes centros urbanos brasileiros, tornando-se tradição ultrapassada e até excêntrica.

Não sei se o desaparecido costume ainda persiste em algum rincão do interior brasileiro. Mas, em tempos idos e carcomidos, teve ele presença constante sempre que se instaurava a necessidade de se rogar aos céus e aos santos que fizessem chover a chuva bem-vinda para extinção das secas prolongadas, com suas consequências trágicas, dentre as quais se impunha a falta de alimentos de que se ressentiam as populações afligidas pela escassez das águas da fertilidade.

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O relógio de estimação do senhor bispo

Luiz Guilherme Santos Neves

Suponho que fosse um Patek-Phillipe o relógio do senhor bispo, talvez sem a correntinha de ouro para não incorrer no pecado da ostentação.

Mas se fosse um Savonnette ou um Rosskopf também seria de boa prestança para o reverendíssimo D. Pedro Maria de Lacerda, durante suas exaustivas andanças pastorais pelos rincões do Espírito Santo, nos anos de 1880 e 1886.

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De Guaraparim a Guarapai

Luiz Guilherme Santos Neves

Guaraparim, como se chamava então, era uma povoação de pescadores, nada mais que isso.  “Quase toda a gente, que é pobríssima, me cheirava a peixe”, escreveu o bispo José Caetano da Silva Coutinho nos idos de 1812, quando por lá esteve em viagem pastoral. Além do peixe, o prelado apurou que o lugar tinha ares muito ventilados, boas águas, horizontes largos, e fama de saúde.

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São Pedro do Itabapoana

João Gualberto

Todos devem conhecer aquele sítio tão especial. O que temos como turistas capixabas para desfrutar é o clima ameno, a natureza exuberante, uma população gentil e acolhedora, vários eventos durante todo o ano e, sobretudo, a arquitetura do distrito sede e de pelo menos uma dezena de fazendas do café do fim do XIX. Não é pouco. Posso lhes garantir.

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Morte ao bugre

Luiz Guilherme Santos Neves

As profundas transformações decorrentes do estabelecimento da corte no Brasil constituem um capítulo de reviravolta revolucionária na história do nosso país que ainda vivia imerso na placenta paquidérmica do período colonial. Aos efeitos dessas transformações não ficou alheia a então pobre e desprezada capitania do Espírito Santo.  Leia

 

Os primeiros imigrantes do Espírito Santo

Luiz Guilherme Santos Neves

O genial José Carlos Oliveira elegeu o nome do cacique Maracajaguaçu (Gato Grande) como toponímico figurativo de Vitória.

No conto Mistério em Montagnola, incluído no livro Bravos companheiros e fantasmas, editado em 1985 quando o cronista capixaba participava, em seus últimos meses de vida, do projeto escritor-residente da Universidade Federal do Espírito Santo, diz lá pelas tantas o narrador: “Venho de Maracajaguaçu e vou para Heliorama.” Leia

 

François Biard, primeiro caricaturista do Espírito Santo

Luiz Guilherme Santos Neves

De 1858 a 1860, o pintor francês Auguste François Biard percorreu várias partes do Brasil. Dessa visita resultaria a publicação do livro Deux Annés au Brésil, no qual Biard descreve suas impressões de viagem, recheadas com croquis de sua lavra, ilustrados por Édouard Riou, renomado ilustrador daquela época. 

As impressões são destituídas de qualquer compromisso com a informação descritiva e histórica, diferentemente do que fizeram vários outros viajantes que estiveram no Brasil e no Espírito Santo, no século XIX. Leia

 

Um pedaço de história

Fernando Achiamé

A torta capixaba é capixaba. Da gema. Pois nasceu em Vitória. Aos poucos, com timidez, se expandiu para outros locais do Espírito Santo, principalmente os situados em seu litoral. Porém avançou a contragosto. Já o nome capixaba se espalhou por todo o estado e até mesmo para além de suas divisas; em Rondônia, por exemplo. Nosso prato não. É até ignorado no interior. Em Colatina faz-se mais torta de bacalhau, me conta um amigo. E outro garante: os nascidos na região do Caparaó somente conhecem essa especialidade vitoriense depois que saem de lá. Leia

 

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