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Território inominado: a cartografia de um enigma

Andréa Gimenez Mascarenhas

Território inominado, romance de estreia da escritora e professora capixaba Fernanda Nali, foi publicado em 2018 pela editora Cousa. A obra foi aprovada no Edital Secult/Funcultura n° 007/2017: Seleção e incentivo à produção e difusão de obras literárias inéditas de autores residentes no Espírito Santo. Leia

 

Menino

Marcela Guimarães Neves

O que há de mais precioso que a infância? Não é ela uma riqueza a ser protegida no cofre cerrado da memória? Existiria algo mais infame que a violação dessa fase tão pura da vida? Essas e outras indagações agitam a mente após a leitura do sublime romance Menino, de Pedro J. Nunes.

A cativante história do garoto do interior do Espírito Santo, mais precisamente do município de São José do Calçado, foi levada a público por meio do belíssimo projeto intitulado Nossolivro, organizado pelo jornal A Gazeta, no ano de 2012. Leia

 

Uma prosa de um corpo fragmentado

Anaximandro Amorim

 

Neste algum tempo em que acompanhamos, no que nos é possível, a literatura não apenas produzida no nosso rincão, mas, também, em outros quadrantes deste imenso país, chegamos à conclusão de que, basicamente, duas temáticas têm despontado como principais na pena dos muitos autores contemporâneos: uma, proveniente de um engajamento político, fruto das tensões vividas sobretudo nestas épocas de retorno aos ideais de um obscurantismo que se pretende calar vozes já tradicionalmente à margem da sociedade – e que têm na literatura um importante vetor de expressão, o que torna escritos e escritores, potencialmente, pessoas perigosas, combatidas; outra, bem mais intimista, mas não menos engajada, que pode ser percebida como uma “poética do corpo”, sendo, portanto, somática, e denotando um “movimento para dentro”, logo, também, ontológica. Leia

 

Navalha na carne

Marcela Guimarães Neves

Crepúsculo de uma sexta-feira conturbada. Trabalho atribulado, família fragilizada por mais um caso de suspeita da nova peste, e o cansaço da semana lateja em uníssono com o meu joanete no pé esquerdo.

Para aliviar a tensão, faço a música de Chico Buarque ressoar pela casa, calmante sonoro para as noites de angústia. No momento em que ouço os versos da canção “De todas as maneiras”, vejo o livro Carne viva, de Lívia Corbellari, aquisição do dia anterior, em cima da minha mesa da sala. Leia

 

Poemário mirim de pertinências várias

Marcela Guimarães Neves

“Ando por esse Espírito Santo, canto por canto, embora invente uma fictícia ilha, que nem Jorge, é esta terra que eu amo, esta terra que é minha. Vitória: eis-me chegado, enfim a Trapisona.” O mesmo espírito de amor à terra natal presente nos Cantos de Fernão Ferreiro, bela obra poética do escritor, professor e magistrado capixaba Renato Pacheco, pode ser nitidamente observado em Poemário mirim de pertinências várias, cativante livro do também escritor, professor e magistrado capixaba Getúlio Marcos Pereira Neves. Leia

 

Córrego dos Coelhos: o minimalismo da infância universal

Italo Samuel Ferreira Wyatt

Tricotar os retalhos da memória com as agulhas delicadas da poesia.

O romancista é sempre um latifundiário: sua construção literária é imensa e até infinita. Escreve, pois, sobre os grandes achados da humanidade, diálogos complexos, convicções filosóficas, os firmamentos dos céus, a vileza de Poseidon com os seus mares que apartam amores pretensiosamente construídos para experimentarem o eterno, os carnavais incautos de um cristianismo político. Leia

 

Os incontestáveis, de Saulo Ribeiro

Marcela Guimarães Neves

Born to be wild! (1) Assim como a canção de Steppenwolf, imortalizada no filme “Sem destino” (Easy Rider- 1969), o livro Os ncontestáveis, de Saulo Ribeiro, traz a vibração das viagens transnacionais norte-americanas (road trips) dos anos 50 e 60 para os dias atuais.

De fato, a leitura de Os incontestáveis nos proporciona uma animada viagem junto aos irmãos Belmont (“Bel”) e Maurício (“Mau”) em busca de um possante Maverick, automóvel vendido por Ramiro, pai dos dois aventureiros. Leia

 

Memória e sentimento

Marcela Guimarães Neves

“Porque sem amigos ninguém escolheria viver, ainda que possuísse todos os outros bens.” No livro Ética a Nicômaco, obra fundamental para a compreensão da filosofia clássica ocidental, Aristóteles reserva, como não poderia deixar de ser, todo um extenso capítulo (Livro VIII) sobre a importância da amizade. Para o grande filósofo grego, a amizade seria um atributo essencial para o bem-viver.

Como Nicômaco, filho e discípulo do mestre grego, Ivan Borgo, profundo conhecedor dos textos clássicos, pelo que prontamente se extrai da leitura de suas crônicas, seguiu a recomendação aristotélica e praticou, com excelência, a arte de cultivar amizades. É o que se aufere já nas primeiras páginas do livro Roberto Mazzini e outros navegantes – Ivan Borgo: vida e obra, elaborado com perfeição pelo brilhante escritor capixaba Pedro J. Nunes, membro da Academia Espírito-santense de Letras e grande amigo do biografado. Leia

 

O olhar daquela menina

Anaximandro Amorim

Márcio Seligmann-Silva, professor e pesquisador da Unicamp e um dos grandes teóricos da questão da memória dentro do campo literário, assevera, em artigo sobre o tema, que “[o] teor de irrealidade é sabidamente característico quando se trata da percepção da memória do trauma”. Eis, portanto, a sentença: não há testemunho sem dor. Assim é com obras já canônicas, tanto da literatura universal quanto brasileira: O diário de Anne Frank; É isto um homem, Primo Levi; Quarto de despejo, Carolina Maria de Jesus; e Nerina: Relatos de uma vida, autobiografia da autora ítalo-capixaba Nerina Bortoluzzi Herzog, uma sobrevivente da II Guerra Mundial que, além de narrar seu testemunho de vida, tão imbricado com a Guerra, também levanta questões ontológicas, identitárias e, em última análise, humanitárias.

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Por baixo da pele fria, de Caê Guimarães: Ninguém está salvo do sangue e do suor das palavras

Renan Peres

Desde o início, o verso "Somente aos olhos é permitido tocar a distância" anuncia a visão do poeta de um mundo que se desfaz enquanto apenas os elementos perenes do corpo e da vida permanecem. O virar das páginas nos apresenta a um universo de corpos em constante desintegração, enfatizando, sempre, elementos que, como a língua epigrafada de Ferlinghetti, transcendem: "É a louca anatomia, / que me faz ser todo coração".

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O Breviário e sua liturgia: considerações sobre o livro de poemas O breviário do silêncio

Andréa Gimenez Mascarenhas

No prefácio do livro, assinado pela escritora Bernadette Lyra, já se antevê um pouco do que vai se descortinando aos sentidos do leitor enquanto adentra nos poemas deste Breviário.

Estamos diante de poemas ligados aos mínimos movimentos da existência versados em palavras que se materializam com simplicidade e clareza, porém que traçam brechas e provocam rasgos na estabilidade monótona de qualquer déjà vu. (Bernadette Lyra)

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A vida secreta da gente

Marcela Guimarães Neves

“A vida, meu amor, é uma grande sedução onde tudo o que existe se seduz”. O trecho do livro A paixão segundo G.H., de Clarice Lispector, cabe à perfeição como moldura para a obra A vida secreta da gente, da escritora Maria Sanz Martins.

Maria Sanz seduz. E, como gosta de dizer, o faz da forma mais “sabida”, qual seja, com doçura. Ler as crônicas dessa autora é como saborear aquele doce requintado guardado para uma ocasião especial, ou ainda, como abrir uma caixa de bombons finos, em algum canto onde ninguém possa nos perturbar, para desfrutá-los sossegadamente. Enfim, é puro deleite.

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Esta é uma publicação de cooperação entre o site Tertúlia e o clube de leitura Leia Capixabas.

Editor responsável: Anaximandro Amorim

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