Para ler

Maria Stella de Novaes e a cultura capixaba

Fernando Achiamé

Iracema Moraes de Matos era minha tia-avó, e de fato avó social, pois criou três dos seus sobrinhos: meus tios Dicamor e Pedro, e minha mãe Felisbina (Bina), órfãos de pai e mãe desde bem pequenos. Vovó Iracema era casada com Arnulfo Matos e muito amiga de Maria Stella de Novaes, a quem chamava de Stellinha, e que a mencionou em seu livro A mulher na história do Espírito Santo. Ainda criança, conheci dona Stellinha no apartamento dos meus avós, no quarto andar do Edifício Presidente, no centro de Vitória. Logo me encantei com aquela pessoa diferente, que falava de modo distorcido e num tom alto, por ser surda. Com cabelos curtos, mais brancos que grisalhos, de porte empertigado e com voz firme, a figura de dona Stellinha nunca mais me fugiu da memória, devido também às constantes referências que a ela faziam meus familiares. Leia

 

Kitty e Reinaldo Santos Neves: divertimento

Francisco Grijó

Kitty tem 22 anos e, como toda garota de 22, vive para se divertir. Frequenta baladas, dá as caras em blogs e fotologs, seduz quem lhe passa por perto, dirige um Audi, comunica-se por gírias, é gostosíssima e debocha de tudo e de todos - não é assim que uma mulher se diverte? Claro que a expressão divertimento, a que o autor do romance se refere, relaciona-se à música: divertissement é gênero musical com trezentos anos nas costas e revela-se sempre alegre e despreocupado. Kitty é assim, pelo menos até certo ponto. Até perceber que o mundinho fútil em que vive - e do qual ela só não é peça descartável porque Reinaldo Santos Neves não deixa - desmoronaria com um espirro. Leia

 

Memória repartida, romance polifônico

Francisco Aurélio Ribeiro (AEL-IHGES)

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Um romance é uma criação literária narrativa de forma complexa, segundo conceituação de André Jolles, podendo ser constituído de variados discursos de formas simples - lendas, causos, chistes, cordéis -, o que o caracteriza como uma narrativa dialógica ou polifônica, conceito divulgado mundialmente em seu clássico e já quase secular Problemas da poética de Dostoiévski. Bakhtin conceitua o romance moderno como dialógico, pois é um tipo de texto em que diversas vozes sociais se presentificam e se entrecruzam, relativizando o poder de uma única voz condutora. Leia

 

A série Letras Capixabas: uma contextualização

Francisco Aurélio Ribeiro

Quero começar a contextualização da série Letras Capixabas pelas afirmações de Hallewell a respeito da situação do livro no Espírito Santo, neste século, para que melhor se vislumbre a situação de penúria e miséria editorial neste Estado até a criação da editora da Fundação Ceciliano Abel de Almeida-UFES, em novembro de 1978, cujos objetivos gerais eram “a redução do grande vazio editorial capixaba, publicando obras que venham enriquecer o patrimônio científico e cultural do Espírito Santo”. [2] Leia

 

Os mamíferos: biografia de uma geração

Pedro J. Nunes

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Samuel Johnson, cidadão inglês do século XVIII, e Lêdo Ivo, brasileiro que viveu entre os séculos XX e XXI, não se entenderiam a respeito de biografias. Enquanto aquele estabelecia que “ninguém pode escrever a vida de um homem a não ser que tenha comido, bebido e convivido com ele”, este, bem ao contrário, acreditava que “a maioria dos biógrafos empenha-se em explicar a obra a partir da vida, quando o correto é exatamente o contrário: trata-se de explicar a vida a partir da obra”. Verdade, verdade mesmo, é que nessa sopa há várias colheres, e não há quem se entenda sobre essa questão.

Do alto de sua bem constituída reputação literária, depois de publicar meia dúzia de títulos de ficção, é chegada a hora e a vez de Francisco Grijó se aventurar pela biografia, publicando esse aguardado livro Os Mamíferos: crônica biográfica de uma banda insular. Leia

 

Marginalidade doméstica

Francisco Grijó

Ninguém discute que o que diferencia a literatura da não-literatura é a linguagem - e é justamente ela, instrumento essencial, que, lato sensu, determina as estéticas, adequando-se a um determinado momento histórico ou refletindo-o, como um espelho verbal. Há alguns dias elegi como livro da semana o clássico 26 poetas hoje, organizado por Heloísa Buarque de Hollanda, livro considerado por muitos o resumo quase bíblico de uma geração chamada "marginal", cujos integrantes - muitos deles, ao menos - compõem o panorama "estabelecido" da poesia brasileira, encaixados que foram num modelo que enquadra e rotula tendências e comportamentos. Leia

 

Roberto Almada

Ester Abreu

Roberto Almada (1935-1994), professor, crítico literário, dramaturgo, contista, romancista e poeta, nos deixou, também, comentários jornalísticos. Alguns de seus livros continuam inéditos. Em 1985, ganhou o Prêmio “Geraldo Costa Alves” com a obra O País d’el Rey & a casa imaginária, publicada, no ano seguinte, em 1986, pela FCAA-UFES.

Almada era escritor, mas um bom leitor. Apreciava os escritores ingleses, franceses e os hispânicos. Leia

 

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Outras leituras

Coluna de Luiz Guilherme Santos Neves, com contos e crônicas inéditos.

 

Coluna de Ivan Borgo, com textos inéditos e crônicas publicadas em seus dois livros: Crônicas de Roberto Mazzini e Novas crônicas de Roberto Mazzini.

 

Coluna de Pedro J. Nunes, com textos inespecíficos inéditos ou já publicados esparsamente em jornais e revistas.

 

Coluna de Caco Appel, com impressões de leituras de livros publicados por escritores capixabas.

 

Livros integrais inéditos e já publicados de autores capixabas.

 

Escritos afetivos sobre nossa geografia, história, cultura, turismo, tudo que sejam fatos e coisas do Espírito Santo.