Renato Pacheco entrevisto

(notícia biográfica)

 

Andréia Delmaschio

 

Fui renato na Ilha de Santa Maria do Atlântico,

território que criei feito de pedra e luz,

onde reino soberano na imaginação.

(Renato Pacheco)

 

Quem passa hoje pela Rua Sete de Setembro, no centro de Vitória, pode ver no número 407, por entre os prédios que constituem o comércio local, um antigo sobrado. Apesar de a cidade conservar, especialmente na parte superior das construções, traços arquitetônicos de tempos tão diferentes deste de agora, logicamente é difícil imaginar o que vira e vivera por aqui, há quase oitenta anos, o menino Renato.

No entanto ainda é possível, subindo a pé a rua onde o escritor passou toda a infância, usufruir de uma estranha sensação de encontro com o passado. Em parte pela visão surpreendente da pequena mata conservada ainda hoje ao fim da rua, fazendo imaginar a extensão que tivera em outros tempos, mas principalmente porque é o caminho da casa onde nascera o escritor Renato Pacheco. Concentrada na tarefa de escrever sobre sua vida, ocorreu-me a princípio ir em busca da visão do lugar onde vivera durante tantos anos, desde o final da década de vinte. Pareceu a mim que as pedras daquele bulevar soprariam algum segredo longamente guardado, a partir do qual teria início esta viagem ao passado.

Movida, assim, por um certo romantismo inspiracional, subi a ladeira da famosa rua Sete, a princípio atenta aos números afixados nos muros - em Vitória a enumeração dos imóveis costuma obedecer a uma estranha lógica antilinear, parecendo ter sido feita por sorteio -, adiante já envolta na atmosfera especial daquele encontro imaginário com o passado. Ir em busca da infância do escritor Renato Pacheco revelou-se também uma oportunidade de reencontro com o centro histórico da cidade, viagem que recomendo a cada dia com mais convicção.

Sob o sol do meio-dia, uma miscelânea de odores e de sons, fermentada pelo calor do trânsito, empurra para o fim da rua, onde finalmente se conquista o silêncio e de onde ainda se pode vislumbrar, já próximo à reserva que se estende ao fundo, um pequeno jardim, incrivelmente vertical, cultivado sobre grandes pedras cobertas, em pleno verão, por um musgo surreal, as plantas sendo sopradas pelo vento fresco da mata...

Tendo chegado ao jardim, esgotada a labiríntica numeração, retorno ao centro da rua, onde deparo, enfim, com o belo sobrado.

 

No ano em que ali nasceu Renato Pacheco, a cidade tinha cerca de trinta mil habitantes. Era pacata, praticamente uma vila. Para além do Forte São João, de um lado, e da Ilha do Príncipe, de outro, avistava-se um longo ermo de gentes, constituído ora pela mata, ora pelo mangue. Era um domingo, 16 de dezembro, e o menino de grandes olhos azuis nasceu em casa, em 1928. “Quando nasci, havia duas parteiras em Vitória: Dona Maria Lúcia Viana e Dona Augusta Mendes. As duas dominavam praticamente toda a cidade. Dona Augusta, que era prática, fez mais de mil partos em Vitória, entre eles o meu. Dona Maria Lúcia havia se diplomado no Rio. Não era médica, mas tinha o diploma de obstetrícia. E não havia hospital. Havia a Santa Casa de Misericórdia, mas era só para doenças, operações, internação de indigentes... Parto não era feito em hospital de jeito nenhum”.

Dali a poucos anos, Renato aprenderia a ler e a escrever com a tia Argentina, que com grãos de feijão imprimia também maior concretude às operações matemáticas básicas que ensinava. Posteriormente, foi encaminhado ao jardim de infância e pouco depois entregue aos cuidados da professora Isaltina, que lhe auxiliaria nos primeiros passos com a palavra escrita.

Encantado já com o domínio do código escrito, naquela mesma casa o pequeno Renato escreve, em 1936, a história de Mário, um garoto que, comovido com a pobreza de uma outra criança, resolve dividir com ela os seus presentes de Natal. Essa incursão precoce pelo mundo das letras é a um só tempo o registro de dois importantes traços da vida e da produção futuras de Renato Pacheco: o prazer da escrita e a preocupação com a problemática social, que o seguirão no exercício do magistério e da magistratura, formando também o jornalista, o historiador, o sociólogo e o escritor.

Pode-se dizer que o menino crescera junto com a cidade. E viu aposentar-se o bonde, acompanhou o aumento do fluxo de carros, os primeiros prédios recortando o céu e as avenidas serpenteando entre o mar e a montanha, até onde a vista podia alcançar.

 

Em plena segunda guerra mundial, quando contava 17 anos, Renato substituía já o professor a quem mais admirava, e a quem ainda hoje chama de “mestre” – Guilherme Santos Neves. Ele foi professor em 1940. Em 1945 ele ficou doente e então me propuseram assumir o seu posto, porque por aqui era difícil encontrar um professor de português. Então alguém comentou que eu era muito bom aluno e eu fui como suplementar, o que se chamaria hoje designação temporária. E fiquei dando aulas suplementares em seu lugar por quarenta e cinco dias, enquanto ele se recuperava, acho que de uma pneumonia. Terminou o período e me propuseram continuar no período seguinte. Eu tinha dezessete anos e aceitei. Desde então, nunca parei de lecionar”. Assim, em menos de duas décadas de vida, o menino já ensinava o que aprendera com o mestre Guilherme.

 

Em 1947 publica “Bilhete para Cervantes”, poema de cunho social, e já em 1948, aos vinte anos, lança seu primeiro livro, Poesia entressonhada, que dedica ao poeta Jorge de Lima, que havia sido seu professor num curso de extensão universitária feito no Rio de Janeiro no ano anterior. No ano seguinte, entra para a Academia Espírito-santense de Letras e em 1950 se casa com Clotilde Cercília Bomfim. 1957, ano de nascimento de seu primeiro filho, Rodrigo, é também o ano em que lança Antologia do jogo do bicho, livro que o escritor Antonio Callado irá considerar excelente.

 

 A partir de 1958, Renato Pacheco se afastou de Vitória por vários anos seguidos, em virtude dos estudos e do trabalho. Estudou direito e história; foi jornalista, advogado e magistrado, iniciando uma andança de dezoito anos que o levou a morar em São Paulo e depois em várias cidades do interior do Espírito Santo, como Conceição da Barra, São Mateus, Santa Leopoldina, Guaçuí, Colatina e Alegre. Em 1972 retorna à capital.

 

Ouvindo as palavras de Renato Pacheco sobre a Vitória de sua juventude, é impossível não lembrar da descrição que faz da cidade um dos personagens de Reino não conquistado. Os relatos de Guilherme Pimentel Pereira, o narrador de “Folhas ao vento”, terceira parte do romance cujos acontecimentos são, confessadamente, um tanto autobiográficos, remontam à vida da cidade nos anos quarenta: “Aqui, no São Vicente, com o Professor Aristóbulo Barbosa Leão, grande mestre do vernáculo, fiz todo o meu ginásio, e agora estou no segundo ano de nossa Faculdade de Direito, único estabelecimento de ensino superior desta terra. Ganho uns trocados em O Liberal, órgão oficial, levando notícias para serem redigidas pelos jornalistas mais velhos. Diversão não há: de tarde, o Café Estrela, de noite, o Café Avenida, logo adiante, ambos na Praça Independência, o footing na pracinha, os cinemas Glória, Carlos Gomes e Politeama, o jogo de sinuca, e as visitas de fim de semana às casas das meninas, no 120, no 136, na Duque de Caxias, e quando se tem dinheiro (depois de um vale ou do pagamento) e se quer um grande programa, no Formigueiro, na Praia do Suá” (Reino não conquistado, p.128).

 

É a ficção de Renato Pacheco trazendo notícia da nossa história. Pode-se dizer mesmo que conhecer a vida e a obra de Renato Pacheco é redescobrir parte do passado desta cidade, tanto pelo que aqui viu e viveu e pelo que representa na vida intelectual do estado, quanto pela vasta viagem bioficcional que realiza em seus textos. Desse modo, para realmente se conhecer melhor a Vitória da infância e da juventude do escritor, a melhor descrição a acompanhar é, com certeza, a dos seus romances, especialmente a da terceira parte de Reino não conquistado, lançado em 1984.

 

Terminada a jornada inspiracional pelo centro de Vitória, fui encontrar Renato Pacheco em carne e osso na Mata da Praia, onde reside atualmente, com a esposa, D. Tilda, e onde me recebeu para uma conversa, da qual reproduzo abaixo alguns trechos que permitem melhor entrever a pessoa que é Renato Pacheco.

Renato Pacheco: “Moro há vinte e dois anos nesta casa. Morei vinte e cinco anos na rua Sete de setembro e cinco anos na Antônio Basílio. Foram cinqüenta e dois anos morando em Vitória e mais vinte no interior do Estado, no tempo em que trabalhei como juiz. Então eu comecei a me mudar: fui pra Muniz Freire, Mantenópolis, Mucurici, Conceição da Barra, São Mateus, Santa Leopoldina, Alegre, Guaçuí, Colatina, até voltar a Vitória. E morei dois anos também em São Paulo, onde fiz o Mestrado nas áreas de Antropologia e Sociologia. Fui aluno de Donald Pierson e acho que sou o único brasileiro que possui todos os livros que ele publicou. (Mostra na estante os livros do autor. Há aqui – na sua biblioteca – cento e vinte pastas que guardam desde documentos mais antigos, como cadernos escolares datados de 1935 e outras curiosidades, até os seus últimos lançamentos e novos projetos. Todo o acervo deverá ser doado ao setor de Coleções Especiais da Biblioteca da UFES, porque, segundo Renato Pacheco, “As maiores inimigas das bibliotecas não são as traças, como se costuma dizer; são as viúvas. Quando eu morrer, minha mulher vai jogar tudo fora”. Deposita na mesa imensa pilha de livros de sua autoria e co-autoria: “Este é o Renato Pacheco”). 

1. Aproveito o mote. Alguém já disse que o primeiro personagem que um escritor cria é ele próprio. O senhor, a partir da semântica do próprio nome - Renato -, costuma jogar, especialmente em seus poemas, com a questão de um certo re-nascimento poético - ou ficcional -, até chegar à criação dos heterônimos propriamente ditos. Qual a importância desse desdobramento para a sua produção ficcional?

 

Renato Pacheco: (Mostra-me uma caixa de papelão em que está grafado, em pincel atômico, letras grandes, o anagrama de Renato: “Antero, a incerta viagem”, um vasto pacote de documentos, textos fac-similares). “Nunca terminarei”, me diz em tom de confidência. “Tudo isso é o livro de Antero. É uma autobiografia inventada. Não é a minha biografia, é a vida que eu inventei pra mim... e nunca terminarei porque... eu tenho muito fantasma aqui... se eu for abrir... Talvez um pouquinho antes de morrer, se eu ainda tiver sentido, ponho no fogo, pra que ninguém venha a pesquisar.

2. Além de retrabalhar criativamente a própria identidade, o senhor também insere os nomes de personalidades conhecidas, em seus textos. Pessoas como Luiz Guilherme Santos Neves, Miguel Depes Tallon, Bernadette Lyra e Marcos Tavares aparecerem como personagens em vários de seus romances. O senhor mesmo e seu pai são personagens secundários em Reino não conquistado...  

Renato Pacheco: Isso sempre aconteceu. Só Luiz Guilherme Santos Neves é que não gostou muito de ser personagem da Fuga de Canaã. Ele achou que eu o havia ridicularizado, mas não é verdade, não. Eu não o ridicularizei, eu contei a pura verdade. O caso foi o seguinte: era um casamento pomerano. No casamento pomerano a noiva tem que dançar com todos os convidados e o noivo tem que dançar com todas as convidadas, mas tudo dentro de um certo ritual: primeiro o pai da noiva, depois o pai do noivo e por aí vai. Quando começou a tocar a música – que é sempre a mesma – e disseram que era chegada a hora de dançar com a noiva, mestre Guilherme, que era da comissão de folclore e que tinha sido convidado para as festividades, foi lá e dançou com a noiva, sendo que ele não podia dançar naquele momento. Ele simplesmente quebrou o ritual. Isso eu conto ali, mas não no sentido de ridicularizar e sim de registrar o fato. A grande escritora que é Bernadette Lyra participa, inclusive com um poema de sua autoria, ipsis litteris, de A oferta e o altar. O Miguel era um grande homem, pena ter morrido tão cedo. É o dono de um bar em O centauro enlouquecido, o meu melhor livro de todos os tempos. Não digo que é o de que eu mais gosto, mesmo porque eu gosto igualmente de todos, mas é o meu melhor livro.

 

3. Nesse, como em outros textos seus, um certo jogo com o leitor, que procura seduzi-lo ainda mais para o interior do seu texto, parece constante, tanto na prosa quanto na poesia. O senhor é um grande ilusionista, no sentido de que cria uma certa ilusão de real indispensável à vida da ficção. Cria e descria, até que não caiba mais perguntar onde é que fica Ponta d’Areia, ou se realmente existiu no Espírito Santo uma localidade chamada Pedra menina. Saber criar esses enredamentos, a dúvida mesmo entre real e ficcional, é um grande trunfo para um ficcionista, ainda mais para um escritor que se preocupa em mostrar os traços de uma determinada cultura através da sua escritura com o cuidado de não cair no engajamento estéril e sem criatividade. Em Pedra menina o jogo com o leitor parece começar antes mesmo do texto propriamente dito, com a apresentação do Miguel Depes Tallon, em que ele “desmente” as declarações do autor, feitas em uma “nota prévia”, de que tudo ali é ficção!

 

Renato Pacheco: E é pura ficção, só que, ao mesmo tempo, é o sul do Estado. Xerxes Gusmão perguntava por que não escrever um romance também sobre o sul do Estado. Eu fiquei com preguiça e escrevi um pouquinho só; ficou um romance pequeno, um divertissement. As informações são de Guaçuí, mas eu inventei Pedra menina, que uma marola invadiu e cobriu. A ficção é a ficção. Realmente não interessa mais saber onde é... Como com O reino não conquistado. A parte de 1942 pra frente tem muito de minha vivência, mas é minha, a minha visão da Vitória do meu tempo.

 

4.  Em algumas ocasiões ouvi relatos sobre a queima simbólica do seu primeiro romance, A oferta e o altar, em Conceição da Barra, na década de sessenta, mas paira sempre um mistério sobre o acontecimento. Por quê? O senhor poderia explicar melhor o que foi isso?

Renato Pacheco: Isso eu tenho a impressão de que foi uma invenção. Eu fiquei vinte anos sem ir a Conceição da Barra, não foi por medo de ir lá, não, foi porque eu estava no sul; eu morei quatro anos em Guaçuí; em Alegre dois anos. Era difícil ir a Barra, naquele tempo as estradas eram de barro, você sabe disso... Mas eu recebi uma carta dizendo que tinham queimado o livro na cidade, os jovens. Quem me contou foi Hermógenes (Lima da Fonseca). Segundo ele, a juventude não teria gostado de se reconhecer no livro. A expressão foi a seguinte: “Era tudo verdade, mas doutor Renato não tinha o direito de contar”. Eu acho que essa é uma das lendas que envolvem a minha vida.

5. Nesse romance, certas passagens encenam algo que me chama, particularmente, à atenção: a fragilidade do humano diante da morte. Aliás, a morte aparece como tema retomado sempre nos seus textos, tanto na prosa quanto na poesia. Essa retomada representa uma preocupação, um sentimento especial com relação a ela?

Renato Pacheco: Não, eu não tenho nenhuma preocupação especial, nenhum medo da morte. Eu tenho medo da dor, agora, da morte, não. Pode chegar até agora e você vai dizer: “Eu o estava entrevistando, ele teve um colapso e tombou...”. O problema é que a vida na minha idade passa muito rápido. Por exemplo: ontem era Natal e eu tinha meu genro aqui. Hoje eu estou em dois de maio e sem ele, que morreu. Uma coisa louca, que me marcou profundamente, este ano. Em uma semana ele teve leucemia aguda e morreu. Quarenta e cinco anos, engenheiro, uma coisa chocante. Então as coisas vão passando muito depressa, ele já morreu há quase dois meses... Essas coisas mostram que, na sua idade, o tempo às vezes demora a passar, mas na minha tudo é muito rápido. É por isso que na abertura de Porto final eu digo que o título se deve a uma certeza íntima de que a Inominável se aproxima a passos largos... 

6. A escritura é uma tentativa de adiamento da morte? 

Renato Pacheco: Sem dúvida... É uma maneira de você se auto-afirmar, de dizer: “eu sou eterno, eu sou um criador, eu sou deus”. Deus no sentido bem limitado do humano... Mas é porque você está produzindo, está criando, então... Se você estiver satisfeito com a vida, você não escreve. Escrever é uma maneira de você preencher um vazio. Você escreve porque há alguma insatisfação. São cento e oitenta milhões de brasileiros; quem está escrevendo? Se eu estou muito satisfeito, eu saio à tarde, vou a um barzinho, tomo uma cachacinha, tomo uma cervejinha... Acabou o dia, vou dormir e outro dia começa. Agora, quem escreve, é porque está insatisfeito, eu acho; eu posso estar errado. 

7. Sobre a sua relação com a idéia de divindade...  

Renato Pacheco: Durante grande parte da minha vida eu fui agnóstico. Thomas Huxley inventou essa palavra, no século XIX, para significar aquele que não se preocupa com o problema. O ateu é aquele que argumenta contra Deus, enquanto que o agnóstico não... Eu não argumento contra Deus, agora... Eu tenho as minhas dúvidas e, no caso, estou bem agnóstico, como os budistas. Como são os budistas, como os taoístas: religião sem Deus. Buda, quando perguntaram a ele sobre Deus, ele disse: desse assunto eu não falo. Está lá nos textos sagrados do budismo. Então, são coisas que estão acima da nossa compreensão, mas não que eu negue, eu não vou negar nunca.  

8. O senhor poderia falar um pouco sobre a experiência de publicar na Internet? Acessando o site Estação Capixaba o público pode ler seu romance O senhor Kurtz morto:

 

Renato Pacheco: Eu estava cheio de Brasil, então transportei Vitória para a Ilha de Trindade. Mas não resolveu nossos problemas, não. Lá ficou ainda pior. Eu mesmo sou de origem portuguesa e acho que a nossa origem é que é ruim mesmo. Mas... a ida pra lá causou a criação do primeiro golfo no Brasil: o golfo do Espírito Santo (O Brasil tem uma tristeza tremenda por não ter golfo. Um dia eles ainda vão fazer aqui um vulcão só pra dizer que o Brasil tem vulcão). O porto de Tubarão passou lá para Aimorés e os mineiros ficaram felicíssimos. Eles são loucos por um porto de mar. Modestamente, isso foi inspirado na Jangada de pedra, do Saramago. Só que a jangada anda pelo oceano e a minha ilha não. É a mesma Ilha de Santa Maria que está no Porto final.

 

9. Há algum texto inédito, antigo ou recente, que o senhor acharia interessante tornar público nesta oportunidade?

Renato Pacheco: Tem um conto muito bobinho que eu escrevi com oito anos... (Refere-se ao conto “O presente de Jesus”, constando agora desta antologia. Mostra também um “plágio descarado” apresentado como resultado de pesquisa escolar em 1943, trabalho pedido por “mestre” Guilherme, introduzido em estilo apologético, com “cumprimentos ao querido mestre e aos caros colegas”. Negociações sobre o empréstimo dos originais do conto, datilografado pelo pai, e de um original de Bernadette Lyra, poema de 1964).


Este texto foi retirado do volume 9 da Coleção Roberto Almada, Nomes para Viagem - Renato Pacheco: vida e obra, de Andréia Delmaschio, a quem agradecemos pela gentil cessão. Gratos também a Adilson Vilaça, editor da coleção, que facilitou a inclusão deste importante texto entre as publicações do site.

 

 

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