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Os olhos de meu pai

 

Renato Pacheco

 

 

Neste espelho da Catalunha

os olhos azuis de meu pai eu vejo.

Neste espelho da Catalunha

eu vejo os olhos célticos de meu pai.

 

Ó Senhor, daí que não viva tanto

quanto os olhos azuis de meu pai.

Ó Senhor, daí que eu saia discretamente

deste labirinto de foices.

 

Faça-se o jogo:

eu sou a bola e o número da roleta.

 

Deste espelho da Catalunha

brumas nonagenárias

se tornam os olhos de meu pai,

que me advertem, na varanda da rua Sete,

mil anos atrás,

surpresos com minha hipocrisia,

zangados com minha maldade,

mas dispostos a perdoar sempre

ao seu filho tão igual a ele.

 

 

 

 

 

 

 

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