PRINCIPAL

LEITURA

 

 

 

 


 

 

 

Autobiografia tardia

 

Renato Pacheco

 

 

Já nove décadas vivi.

Nem século escuro,

a vitória do réptil.

 

Eu brincava com o nada:

Piões, papagaios, bolas de vidro.

No Natal, a Lapinha do Dr. Coelho.

Que festa, quando o Convento da Penha

recebeu iluminação a gás acetileno.

Pescava na enseada, caçava na Toca,

e o velho Amâncio, rigoroso, me desasnava.

Aos dezesseis, o primeiro soneto

publicado no Almanaque da Casa Verde

e dedicado a Mirandolina, musa aérea

que morreu tão moça.

 

Quatro décadas trabalhei,

anonimamente, para a Nação.

Agora, esperando um tetraneto,

esta casa do BNH e a vontade

- mui grande, mui grande –

de ver de novo, o Cometa Halley.

 

 

 

 

 

 

 

Clique aqui para ler outros poemas

 

VOLTAR


     © 2005 Tertúlia

     Direitos reservados

Site de utilidade pública, sem fins lucrativos