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Poemas

Jorge Elias Neto 

Régua quebrada

 

Não me importo

em numerar as penas do cisne.

 

Versejo com apetite.

Cato palavras de aluvião.

Sou sapo de língua comprida catando mosca.

 

Insisto na ingenuidade da metamorfose.

(só sei transformar sapato em borboleta)

 

 

Sexo

 

Derramarei teu corpo sobre a relva...

 

A alma, não!...

 

A alma, sábia,

despirá a pele

e largará em meus braços a tua loucura.

 

                             A alma será o entorno...

 

De carne

entende o corpo.

 

 

O que se vê

 

Pela fresta estreita em que me permito ver a vida,

insiste em me turvar a visão

esta névoa contínua das minhas incertezas.

O lugar do horizonte o seu próprio nome diz.

Vejo apenas uma fração do nascer

ou do porvir da existência.

Se claro, vejo pálido; se escuro, aí vejo tudo.

Tão limitada é a consciência dos seus limites

que, como um asno, se permite tampar os olhos

para trilhar seguro seu pedaço na história.

 

 

Angústia

 

Vai-se largo o minuto que te espero.

Já é farto de angústia o meu silêncio.

Só desespero na encruzilhada de minhas mãos.

A borra negra da desesperança me convida a acordar.

O dueto de mim mesmo me desperta. 

 

 

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