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RECANTO DA POESIA

 

 

 


 

 

 

Nova música aquática

 

Fernando Achiamé

 

 

Ó rio Doce, quanto da tua lama

são lágrimas de quem te ama!

Valeu a pena o verso de Pessoa?

De Drummond, o aviso-poema?

Nada vale a pena

se a alma é pequena.

Reside remota esperança

nos temas da nossa sinfônica.

Rápido reúnam músicos exímios

em Linhares, Colatina, Baixo Guandu

para tocarem peças clássicas ligeiras

e afastarem de nós os rejeitos da cobiça,

palavras gastas e omissas,

a negligência feita com pesados metais.

No programa em Colatina incluam

o Concerto de Varsóvia de Addinsell

para homenagear os bravos poloneses

que resistiram em Águia Branca.

Nós também resistiremos!

O som da orquestra será uma antilama

a pairar sobre o imenso vale,

animando as pessoas

para as lutas que virão. A chama

da vida retornará aos poucos,

trazida por cordas, sopros, percussão.

A todos chegará o apelo musical –

aos peixes mortos, às algas desmilinguidas,

às amarronzadas pedras, aos pássaros caídos...

E haverá lagostins novamente

nas rochas submersas em Mascarenhas.

E os cascudos voltarão às suas locas

na altura de Barbados.

E em Regência, perto do mar, águas limpas

verão os pulos de novos robalos.

Resistiremos.

Resistiremos sempre.

 

 

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