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RECANTO DA POESIA

 

 

 


 

 

 

Impressões

 

Fernando Achiamé

 

 

Deus descansa desde a Criação.

Tudo o que fazemos

está contido no descanso de Deus.

Sim, Ele criou do Nada, Dele mesmo.

Nós retiramos tudo Dele,

do Nada que jamais acaba.

Repousamos um pouco

para recobrarmos o ritmo.

Ele descansa eternamente.

 

Mitos não morrem,

aguardam a hora de voltar.

Cercado de natureza, um fauno

se espreguiça na tarde extensa

à espera do céu explodir em estrelas

há muito tempo extintas.

Iguais a elas, cintilam espíritos

no negrume do Nada.

Para que pensar o povo nas ruas?

O Devaneio dura mais.

E ninfas, náiades, sereias.

Deus sossega nos sóis do mundo.

 

Você não deseja nossa estrela

que tão perto brilha e nos cega.

Já o brilho do luar se imiscui

nos arabescos das altas esferas

para nos falar em segredo.

 

Através da água, a catedral oculta

deixa-se ver de tempos em tempos.

Tal nosso maior castigo –

de vez em quando nos olharmos.

O toque dos sinos, o coro dos monges,

uma pavana para alguém

nos despertam afinal na Ilha Feliz.

De novo o templo se esconde no fundo

do oceano para retornar com você.

 

A carne é forte, mas acaba.

O espírito persiste fraco,

cintilando no negrume do Nada.

Crianças brincam nos cantos da vida.

Você compõe uma trilha sonora

do universo e todos a seguem.

 

O sopro nos foi dado,

inventamos as cordas.

Tudo em você é sopro e corda.

Depois do seu acordo com Ele,

vagueiam melhor os ventos,

vagas ondeiam firmes.

Depois desse acordo,

nuvens, neves, véus,

sons e perfumes, acordes,

o mar salpicado de velas,

uma Ibéria peregrina,

a jovem dos cabelos louros –

tudo vira prelúdio para

o Nada que jamais ocorre.

Tudo em você é motivo

para completar a obra de Deus.

Eternamente Ele descansa.

Você nos quer divinos

e nos aquieta o coração.

 

 

 

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