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O capitão do fim

 

Luiz Guilherme Santos Neves

(depoimento do autor)

 

Embora possa não parecer, este romance não tem heróis, tem apenas vítimas. Até mesmo a figura central que lhe dá corpo – a de Vasco Fernandes Coutinho, primeiro donatário da capitania do Espírito Santo – é apresentada como um pecador assumido, sobre quem paira um juízo de perdição irreparável e de danoso fim.

 

Trata assim o romance do julgamento póstumo de um capitão de destemores e de campanhas luzidias, cujo romanceiro de vida se forjou de grandezas históricas e de misérias humanas que se voltam contra a personagem, após a sua morte. 

 

Cavaleiro de terras e mares, governador de delinquentes e oprimidos em uma região que se situava no fim de um mundo desconhecido e selvagem, Vasco  Coutinho teceu, com seu ardor e sonhos desbragados, uma saga histórica que o tornou um dos mais notáveis vultos do Brasil Colonial, dentre os que, como ele, se empenharam nas conquistas desvairadas de uma colonização embrutecida.

 

Mas no juízo final a que se entrega a alma do capitão, em meio a um redemoinho de lembranças e tormentos – tema central do romance - tanto pesam os triunfos de vida do capitão, quanto as inconfessáveis mesquinharias que fizeram o contraponto do seu itinerário de cavaleiro real que, se por um lado, se poderia dizer sans peur,  por outro não se poderia dizer sans reproche. O Vasco Fernandes que ressuma desse conflito de contradições é tão dolorosamente sofrido e desamparado como qualquer outra criatura que estivesse em seu lugar, diante de um idêntico e incomensurável fim.

 

 

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