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Francisco Grijó - Diga adeus a Lorna Love - Texto da orelha

           

Diga adeus a Lorna Love

 

Bernadette Lyra

 

Neste livro, faces pálidas, telemáticas, adormecem ao som de um violão, à razão de 24 quadros por segundo. Ou seja, impossível deixar de escutar o latido de um débil coração de yogurte sob a carne de vidro e de plexiglás. Francisco Grijó, esse jovem, inventa uma regra do jogo para suas criaturas.

 

A procissão dos seres caminha pelas páginas, manchada de gin, blues, sexo, cigarros, mas penso que, da moita de imagens – signo de algum nosso antigo reconhecimento desmaterializado – o crime de Vanessa Redgrave, em Blow Up, os persegue.

 

Francisco Grijó, esse jovem escritor, ata a ponta das fitas das máscaras. Os mitos inventam meia dúzia de almas privadas, convincentes, e saem por aí no papel, fazendo de conta que serpentes aladas convivem aos beijos com heliotrópios de fita durex. A musa Ingrid Bergman comparece, mas parece destinada à imaterialidade do écran, bela Ilde, miragem de um fotograma fantasma a nossos olhos de Rick. Bob Dylan, no horizonte, ilumina estes contos como um quarto crescente no canto vazio da sala: who killed Lorna Love? Quem poderá salvar Joana Head, baby sitter das dores humanas, lembranças?

 

Francisco Grijó, esse jovem escritor em progresso, modela, com sangue de plástico e pele de celuloide, seres de um mundo biônico, sem cor e sem cheiro e sem gosto, onde goram os ovos do velho mistério. Ele incinera, assim, um pouco do carnaval das grandes esperanças humanas da maneira como só os mais jovens, os mais sensíveis, os mais atingidos poderiam fazer. Mas recolhe um bocado das cinzas, realiza o último milagre: modela criaturas e, instalado no frágil cordão da criação, não quer abandoná-las. Se recusa, obstinadamente, a ingressar no oitavo dia.

 

 

 

 

 

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