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Introdução à leveza

 

Elizabeth Martins

 

Nos dias que andam densos e carregados do peso do medo, da insegurança, da incompreensão dos homens com os homens e com a vida, o meu coração pasmo e assustado quase me faz sufocar. Então procuro a leveza nas coisas que estão aqui mesmo e volto a respirar.

 

Lendo Mario Quintana encontro uma nuvem pequena e branca, daquelas que brincam de se transformar, levada pelo vento num lento passeio pelo azul. Encontro depois um verso que me explica por que morrem os jardins e ele me diz que a causa “é esse olhar vazio de quem por eles passa indiferente”.

 

Nós e o nosso olhar vazio matando a importância das coisas pequenas, nós e a nossa pressa para o nada passamos sem ver o sorriso no sono do bebê, a sabedoria no fundo dos olhos do velho, a paz do homem que medita diante do mar. Ah! As tais coisas que nos aliviam o peso e nos acenam com sua leveza de pétala, de verde, de barulho de fonte deslizando nas pedras.

 

Outra página, o poema impresso em letras negras vai criando o colorido das sutilezas na suavidade do sentido das palavras:

 

“No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas que o vento não conseguiu levar:

um estribilho antigo

um carinho no momento preciso

o folhear de um livro de poemas

o cheiro que tinha um dia o próprio vento...”

 

Assim, costumo olhar dentro e fora de mim cada detalhe que me desenhe no rosto um sorriso, me apague a ruga na testa, me conduza corpo e alma ao sutil encontro com a leveza.

 

 

 

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