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Exílio

 

Elizabeth Martins

 

A paisagem estranha entra pela janela aberta e alcança meus olhos presos no susto. São morros cobertos de árvores, um absurdo de verde que se move com o vento que vem do mar ali perto.

 

Custo a entender que não estou na minha cidade querida. Que o meu tempo agora se faz um pouco longe dela, nada que sete horas de viagem não possam resolver.

 

Estar longe me põe a desejá-la, minha cidade e sua brisa, a baía, o Penedo. Encontrar amigos, passar a tarde inteira na Livraria, tomar sorvete na Praia do Canto. Coisas tão simples, tão habituais, tão parte da minha vida há tanto tempo.

 

Mas o exílio, voluntário, tem suas razões altamente compensadoras. Desenvolver o projeto de um novo livro para as crianças é uma delas. Há outras, porém. Outras que me conduzem a uma vida de descobertas sobre mim mesma e a minha recente habilidade de me aventurar por mares nunca dantes navegados.

 

Carrego comigo sentimentos novos, certa audácia e um pouco de cautela (e canja de galinha) que não fazem mal a ninguém.

 

Serei eu, ainda, aquela mulher confusa? Não, já não sou. Percebo os desejos, os caminhos e a tranquilidade serena de quem se coloca nas mãos do destino e acredita no melhor. Pois que acreditar já é meio caminho andado, seja para partir ou ficar.

 

 

 

 

 

 

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