PRINCIPAL

LEITURA

 

 

 

 


 

 

Essência

 

Elizabeth Martins

 

Caminho devagar pelas ruas asfaltadas do bairro residencial. Todas as casas têm, pelo menos, um pequeno jardim. Olho os muros de onde fogem buganvílias de pétalas dobradas, despencam amarelas as flores das alamandas, exalam perfume os manacás.

 

O silêncio toma conta de tudo, a não ser pelos latidos de algum cachorro vigilante. É um silêncio composto de ausência de ruídos urbanos e forte presença do odor adocicado das flores, misturado ao cheiro forte do mar.

 

O sol quente queima as minhas costas nuas e cria gotas de suor no meu pescoço. Chego à parte extrema do bairro e encontro o trânsito, comum a toda cidade de porte médio, rápido e nervoso. Carros, ônibus, motos e bicicletas levam as pessoas no seu cotidiano.

 

Parece que apenas eu não tenho compromissos. No meu passo lento e despreocupado chego à banca de revistas para comprar incenso de alecrim (hoje em dia, uma banca de revistas pode ser uma caixa metálica cheia de surpresas).

 

Retorno pelo mesmo caminho, deixo para trás o trânsito, as buzinas e reencontro o silêncio e os jardins.

 

Em casa encho o espaço com cheiro de alecrim e, recostada na cabeceira da cama, escrevo sobre as coisas que são e a maneira como tocam a alma inquieta que mora em mim.

 

 

 

 

 

 

Clique aqui para acessar o índice e ler outros textos

 

VOLTAR


     © 2005 Tertúlia

     Direitos reservados

Site de utilidade pública, sem fins lucrativos