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Dos sentidos

 

Elizabeth Martins

 

Ao telefone reconhece o sotaque peculiar e a voz terna, embora, naquele momento, carregada de um acentuado tom grave.

 

No encontro, para o olhar que observa, vem a imagem querida com as nuances deixadas pelo tempo, aquele que passa e imprime linhas e bordas, desenhado outro rosto, mas sempre o mesmo amado.

 

Reconhecida a face, o olfato sabe do aroma que percebe quando os rostos se tocam de lado, num beijo rápido.

 

Mas é preciso sentir as mãos que se procuram, encontram-se e não se largam. A suave pressão dos dedos longos escorregando sobre a palma. Ligeiras cócegas, um arrepio, reconhecido o toque.

 

Um abraço, e o beijo nos lábios acontece como se fosse o único caminho possível, a trilha definitiva para o reconhecimento completo.

 

Assim, da mesma forma de muitos anos atrás, sente o sabor do mesmo primeiro beijo, tímido e delicado, de bocas virgens, iniciantes nos mistérios do amor.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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