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Paradoxo

 

Elizabeth Martins

 

Quando penso nas crônicas que escrevi, e mesmo nas que escrevo hoje, sinto a presença constante da minha infância e da minha juventude.

 

Da mesma maneira que alguém visita uma casa antiga, deslizo por corredores, dobro esquinas, abro portas e encontro sempre a memória dos tempos que foram, das sensações de um outrora cada vez mais distante.

 

Ainda assim, vívidas, as imagens escorrem diante dos meus olhos com a incômoda sensação de que nada será melhor do que o mar azul, a enseada de águas tépidas, da areia banhada por um luar nunca reencontrado.

 

Uma puxada de rede, a voz cantada do pescador que se precipita sobre o ronco agoniado do cardume de pescadas debatendo-se na malha trançada, prateadas sob o sol do céu aberto.

 

Imagens redentoras, cheiros e sons, num estranho movimento de vem e vai, torna e retorna, entremeados da paradoxal sensação de querer, ao mesmo tempo, a liberdade para viver o que é, o que está, o que se faz presente.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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