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A flor azul

 

Elizabeth Martins

 

A água vinha e ia num ritmo lento e imutável. Os pés esquecidos sobre a superfície porosa e úmida permaneciam imóveis enquanto as mãos, em movimentos delicados e cuidadosos, mergulhavam nessa mesma superfície e, carregadas daquela mistura arenosa e aguada, deixavam pingar gotas de fantasia, umas sobre as outras.

 

Surgiam torres, formadas por pingos que se uniam e ganhavam a forma do sonho. Ela sonhava com príncipes e princesas, fadas e bruxas malvadas, nobres em belas montarias.

 

Assim erguiam-se as torres. O esmero infinito transpunha os limites do conhecimento inexistente de cálculos e estruturas para dar aparência ao castelo, que previa um fosso para proteção, uma ponte levadiça de palitos de picolé, um jardim interno de verdes folhas da restinga.

 

Ela, pequena morena, cachos molhados cobrindo parte da face criança, de olhos postos no sonho, trocava consigo diálogos de tempos medievais. A intuição e as primeiras leituras lhe diziam de grandes amores, intrigas, encantamento e magia entre as torres e muralhas.

 

Uma flor azul enfeitava o centro do jardim verde e estaria ali, embora as águas subissem e desmanchassem o castelo pois, no dia seguinte, o sonho redivivo a impeliria a um novo começo. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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