PRINCIPAL

LEITURA

 

 

 

 


 

 

Cais da espera

 

Elizabeth Martins

 

Ninguém sabe quando começou, mas havia nela algo que inibia o seu sorriso, proibia a sua gargalhada, enchia de água os seus olhos grandes e ligeiramente puxados, sem ter nem por quê.

 

Razões ninguém apurava, embora comentassem nos becos e portas. As bocas inquietas abriam-se em espanto e perguntavam-se o motivo, se é que havia, para tal apatia em alguém que tudo tinha e podia.

 

Ela, só e somente, sentia o desconforto e angústia inexplicáveis (dizem que até mesmo para ela própria).

 

Um dia – um deste que amanhece igual aos outros, com o sol nascendo pálido e nuvens esgarçadas no azul – alguma coisa especial aconteceu. Aconteceu como acontecem as coisas aparentemente sem sentido. Um pranto incontrolável, mãos trêmulas, um olhar agoniado como o de quem não vê o barco que retornaria ao cais da espera.

 

Secou as lágrimas, trocou a agonia por um raio de esperança e tomou decisões. Abriu velhas malas, olhou velhas fotos, trincou os dentes e saiu porta afora, alucinada atrás de uma ilusão que havia estacionado num tempo distante. Assim deixou o cais. 

 

 

 

 

 

 

 

Clique aqui para acessar o índice e ler outros textos

 

VOLTAR


     © 2005 Tertúlia

     Direitos reservados

Site de utilidade pública, sem fins lucrativos