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Estranhos a bordo

(conto)

 

Francisco Grijó

 

Por que quer saber como tudo começou? Bem, o que eu posso dizer, com a certeza de quem raramente comete engano, é que tudo o que aconteceu me lembrou este filme do Hitchcock, Strangers on a train, baseado na novela de Patrícia Highsmith, e com roteiro inicial de Raymond Chandler, o meu autor policial preferido. Pois saiba que as coisas não deram certo entre Chandler e o cineasta e o roteiro foi finalizado por um tal Czenzi Ormonde, de quem nunca mais ouvi falar. Esse filme – tenho certeza de que você viu porque todo o mundo viu – conta a história de dois homens que se encontram num trem e, durante uma conversa, cigarros e cafés, um deles, um psicopata perdulário, propõe matar a esposa do outro, enquanto este outro deveria dar cabo do pai daquele que propôs o terrível pacto – no caso, o maluco. Você viu, sim. É um filmaço, e eu deveria ter dito isso àquela mulher, a usurpadora – vamos chamá-la assim –, antes de assassiná-la, afinal. Presumo que ela também tivesse visto o filme, mas estava tão cheia de pavor que não conseguiria trazê-lo à memória, não se lembraria sequer do título em português, Pacto Sinistro. Não, não me olhe assim, não me julgue antes de ouvir toda a história, você pediu para ouvir, você quis saber. Eu vou explicar tudo, você vai entender, mas primeiro veja esta cena:

 

 

À esquerda do vídeo está Farley Granger, o californiano, com o elegante jeito cínico de quem está sempre se divertindo. Farley se parece comigo, como você pode perceber, o mesmo cabelo bem aparado com o topete elegante. Na película, ele é um campeão de tênis. Você deve tê-lo visto em uma outra fita de Hitchcock, Rope, com Jimmy Stewart. O outro homem, gesticulando, é o Robert Walker – na história, o perdulário vaidoso e insano que quer ver o pai morto. Como eu disse, é ele quem propõe o pacto. Pois então. Eu vou contar e você vai entender tudo, você pediu, mas fique atenta ao que digo porque só vou falar uma vez.

 

 

Eu tenho alguns bons clientes em São Paulo, estou no ramo de publicidade há tempos, uns 15 anos ou mais. Tenho uma vida confortável. Já tive uma esposa – que me deixou, mas os motivos disso não vêm ao caso – e tenho um filho, homem feito, 18 anos, a quem vejo casualmente. Apesar disso, nós nos damos bem. Sua cabeça está no lugar, é um rapaz aplicado e ordeiro, aprendeu a ser gentil e a respeitar as pessoas com quem se relaciona. Mora com a mãe, que é uma boa pessoa – nunca tive do que reclamar. Pois então. Esses meus bons clientes em São Paulo fazem-me viajar com frequência, preciso estar lá, em corpo e em alma, naquela cidade a qual admiro pela faustosidade, pela potente soberania e, principalmente, pelo fato de que se pode andar pelas ruas sem ser notado. Para um homem como eu, em minha profissão, observar é mais importante do que ser observado.

Numa dessas minhas repetidas viagens, num voo diurno, conheci um homem. Não exagero quando digo que tudo começou por conta dele. Sentou-se a meu lado: prováveis 50 anos, elegância, correção, terno risca de giz, alto e comedidamente atlético, face escanhoada, sinais de calvície, bom cheiro. Tinha aquele aprumo inabalável de homem que controlava tudo à sua volta. Engano meu. Além de problemas sérios de hipertensão – herança familiar, por isso se exercitava, além de controlar a alimentação –, tinha uma esposa a quem odiava e queria ver morta. Segundo ele, a esposa tentava, orientada por uma legião de advogados inescrupulosos, arrancar-lhe todo o patrimônio que ele honestamente havia levado anos para erigir. “Veja como são as mulheres”, disse-me ele com calma, “passam do parasitismo ao predatismo como se essa transformação fosse trivial, como se estivessem escolhendo vestidos num guarda-roupa ou aparando as unhas.” Calma, calma, não precisa chorar, eu sei que você não é assim. Pois então. A esposa dele, ou ex, era uma aranha venenosa, era pérfida e desonesta. Descobri mais tarde, mas isso eu não disse a ele (até porque nunca mais nos vimos e isso agora não faz mais diferença), que ela mantinha um ardente caso amoroso com um dos advogados que trabalhavam para ela. Foi na casa desse advogado que a matei. Pois então. O homem estava sentado a meu lado, durante o voo, e narrando, em bom português, o que havia se tornado a sua vida a partir da separação: um amontoado de aborrecimentos, falou ele num suspiro que me pareceu um tanto forçado, mas não era.

A ex-mulher já arrancara dele dois bons apartamentos aqui, no Rio de Janeiro, um pequeno sítio na região de montanhas no Espírito Santo, uma pesada pensão mensal e queria mais. “Elas sempre querem mais” – ele comentou, reflexivo –, “nunca estão saciadas, nunca se satisfazem, nem na cama nem diante de um tribunal.” Abriu uma maleta escura em cujo interior havia vários papéis dobrados, de várias cores e tamanhos, e também envelopes – possivelmente documentos e contratos. Encontrou, no meio desses papéis, uma foto da esposa. Veja isto, ele disse. Era uma mulher bonita, não parecia ter mais que trinta anos. A foto fora feita num dos jardins de sua bela casa, na capital paulista. A mulher, cujo nome você não precisa saber, tinha corpo bem formado e havia inflado o tórax com silicone, seu rosto era marcado por um sorriso vitorioso e limpo, corrigido. Na fotografia, fazia pose à Esther Williams, na beira da piscina, as mãos nos quadris e as pernas ligeiramente abertas. Estava loura, mas quando estivemos frente a frente – e devo dizer que ela não se mostrou tão bonita como na foto –, ela apresentava os cabelos escuros, quase negros, e estava sem maquiagem, pois se arrumava para dormir. Não a achei sequer atraente, o que facilitou meu trabalho. É mais difícil matar uma mulher bonita – como você, por exemplo. Aos poucos, o homem deu-me a ficha da usurpadora: o nome, a idade, o atual endereço, a escolaridade, as predileções. Veja bem: sou um expert nesse jogo, talvez o mais destacado: quase sempre consigo que as pessoas digam precisamente o que quero escutar. Na minha profissão, a publicidade, a lei maior reza o contrário: falo o que as pessoas querem ouvir.

Descemos do avião, despedimo-nos. Havia certa fulgência em seu olhar, que me pareceu uma espécie de gratidão, não sei como descrever, foi apenas uma sensação. Um agradecimento por aquilo que eu poderia fazer por ele. No caminho para o hotel, dentro do táxi, vislumbrando a cidade de São Paulo, e pensando em tudo o que aquele homem dissera, tomei a decisão de matar sua mulher.

 

 

Sei, você nem precisaria me dizer: não é exatamente como no filme de Hitchcock, nem no livro de Highsmith. Tenho certeza de que ele, meu inconsolável companheiro de voo, nunca imaginou que, relatando-me sua infelicidade, poderia estar estabelecendo uma espécie de acordo comigo. É claro que não estava e sei disso, afinal acordos pressupõem bilateralidade. Pois então. Deixe-me continuar. Fui para o hotel, tomei uma ducha, jantei num restaurante habitual, próximo de onde me hospedava também habitualmente, retornei ao quarto, dei uns telefonemas, confirmei duas reuniões para o outro dia. Deitei-me na cama e dormi, sem sonhar.

Vou poupar você de pormenores quanto a meu trabalho. A publicidade nada tem de notável – é tão entediante e mesquinha quanto qualquer outra profissão. O maior truque dos publicitários foi fazer parecer que a publicidade é algo misteriosamente intelectual e cheio de encanto. Pois então. No outro dia, após minhas obrigações profissionais terem sido cumpridas, após eu ter dito tudo o que meus clientes precisavam ouvir, passei a me dedicar ao trabalho que realmente me interessava.

 

 

Você não sabe, mas Hitchcock não queria Farley Granger para o papel de Guy Haines, o tenista. Ele queria William Holden, a quem considerava mais forte. Quanto mais forte é o ator, mais robusta será a situação que ele cria, mais forte será a cena, dizia ele. Pois então. Era assim – mais forte – que eu me sentia, após ter decidido assassinar a mulher do meu companheiro de voo.

 

 

Não foi difícil achá-la, já que eu sabia seu nome e seu endereço. Havia deixado a enorme casa nos Jardins e mudara-se para uma outra, mais modesta, em Pinheiros, provisoriamente. Um imóvel que pertencia a um dos advogados que a auxiliavam na extorsão. Pinheiros é um bairro cosmopolita, formado ao longo de um rio de mesmo nome: casas de todos os tamanhos, grandes condomínios, comércio pujante, shoppings, mercados, escolas, clubes. Eu podia caminhar pelo Largo sem ser incomodado, quase invisível. Não é assim em Vitória, ES, onde moro. Vitória é uma ilha e numa ilha todos os náufragos se conhecem e se cumprimentam e envenenam a vida um do outro. Aqui, no Rio de Janeiro, assim como em São Paulo, as pessoas ignoram as outras, ninguém se importa. Há vantagens imensas nisso, pode ter certeza. Pois então.

Aluguei um carro, comprei o jornal. Uma mulher como aquela, imaginei, não despertaria antes de dez da manhã. Às sete em ponto, por precaução, estacionei próximo a casa, numa rua perpendicular, de onde se podia ver claramente quem entrava e quem saía. Li o jornal, esperei durante toda a manhã: nenhum movimento que pudesse ser considerado relevante. Voltei ao hotel, dormi um pouco. Liguei para Vitória e avisei que ficaria mais uns dias em São Paulo. Eu não tinha ideia de quando poderia realizar o trabalho. Eu era, na época – e isso já faz quatro anos –, um diletante, embora um diletante de extremo talento, que passou desde então a modificar o modus operandi com presteza e originalidade. Os romances policiais me ajudaram nisso. Os filmes, mais ainda. Já matei com faca, com arma de fogo, com porrete e com as mãos nuas. Já fiz uso de corda, arame, nylon, constrição, afogamento. Hoje posso me considerar um especialista. Com a mulher, a infame, a primeira de uma série, usei veneno, o mesmo veneno que usarei com você. Depois de quatro anos, e numa cidade diferente, suponho que ninguém possa fazer conexão entre as mortes. Tenha paciência, eu vou contar tudo, mas pare de chorar.

 

 

No outro dia, logo cedo, liguei para ela. Foi quando ouvi sua voz pela primeira vez, uma voz adolescente, mas confiante. Atendeu presumindo ser um outro homem, como se esperasse um telefonema que fosse uma constante matinal. Aleguei equívoco e desliguei o telefone. Tomei café no quarto e, após o banho, fui, de carro, ao outro lado da cidade, Vila Prudente, um bom passeio. Entrei numa farmácia e comprei clorofórmio e drágeas de relaxantes musculares – apenas para despistar. Numa outra, já num outro bairro, Tatuapé, comprei dois termômetros e comprimidos para febre. Voltei ao hotel e pus-me ao trabalho meticuloso de obter um sal cujo nome é haleto metilato de mercúrio, um composto que, se ingerido pelo homem, em determinada dosagem, provoca graves danos ao cérebro, além de vômitos, paralisia, perda de visão, surdez, loucura e, finalmente, morte. Mata um cão, por exemplo, em meia hora; um homem aguenta um pouco mais. É uma composição de antídoto desconhecido. Pode-se obtê-la ao reagir clorofórmio, facilmente encontrado em farmácias, com mercúrio metálico, retirado de termômetros já sem uso. É uma substância sólida, de baixo ponto de fusão, portanto se liquefaz com facilidade. Sais semelhantes a esse eram empregados na indústria de chapéus de feltro. A poeira afetava o sistema nervoso central dos operários, provocando tremores musculares, conhecidos, em língua inglesa, como hatter shakes. Existe nessa língua a expressão mad as a hatter, que significa doido varrido ou doido como um chapeleiro. Pois então. Espere, deixe-me continuar.

 

 

A certeza veio com um novo contato telefônico: sozinha em casa, uma vítima exposta, pronta para morrer. Havia, é claro, e nessa minha segunda profissão isso nunca pode ser descartado, o risco de alguém fazer-lhe companhia durante a noite, de modo que era necessário apressar-me. Em duas horas, concluí, o trabalho estaria feito. Excitado (mas prudente), coloquei dois pequenos frascos do veneno num dos bolsos do paletó, deixei o hotel por volta de sete horas de uma noite fria de fim de julho. Para um homem nascido e criado numa ilha tomada por sol durante todo o ano, o frio pode ser um tormento ou uma alegria. Os capixabas, em sua maioria, consideram as baixas temperaturas um regalo divino, sorriem mais, sentem-se mais dispostos, vestem-se melhor. Para mim, ao contrário, é um sofrimento sem fim: respiro mal, durmo pior ainda. Pois então. O táxi me deixou a dois quarteirões da casa, uma construção de dois andares, com portões de ferro e a fachada um tanto mal cuidada, os jardins frontais mereciam mais capricho. Um carro na garagem, modelo novo. Olhei o relógio: havia tempo. Depois, ao redor: rua arborizada, boa iluminação, limpeza, um casal entrava em casa, acompanhado de uma criança. Um outro casal, possíveis namorados, saiu num automóvel. Ambos riam e passaram por mim sem que eu fosse visto. Esperei mais um pouco, aproximei-me, cauteloso; com facilidade transpus o muro, não muito alto. Estava dentro. Pelas janelas envidraçadas era possível perceber que todo o primeiro andar estava às escuras, ou pelo menos quase totalmente. Havia luz que vinha da cozinha e que logo foi apagada. Imaginei-a subindo as escadas, passos lentos, seguros e tranquilos. Esperei um pouco, forcei uma janela lateral, forcei outra, várias, sem obter resultado. Tentei, então, a forma mais difícil: toquei a campainha. Não precisei esperar muito e, antes que ela abrisse a porta totalmente, empurrei-a, projetando meu corpo e meu peso para frente. Não lhe dei qualquer chance de reagir. Ela, caída no chão, mas recompondo-se rapidamente, visivelmente apavorada e surpresa, poderia supor que eu fosse um estuprador, um reles assaltante, até um débil insano que, equivocadamente, tivesse errado de endereço e estivesse invadindo aquela casa. Ela nunca poderia imaginar que eu fosse seu assassino. Pois então. Ameaçou gritar por socorro, mas eu a impedi. Com um soco violentíssimo no rosto, e depois um outro em seguida, e mais um terceiro, próximo à boca, fiz a usurpadora mudar de ideia. Chorando e sangrando muito, implorou que eu a poupasse, que eu nada fizesse contra ela, que não a machucasse mais, chegou a perguntar se eu queria dinheiro, embolou as palavras, tremia e soluçava – o que faz o horror, não? –, implorou novamente. Não gritou. Uma tumefação se formou próxima ao olho esquerdo. Peguei-a pelo braço, subimos até seu quarto, um cômodo limpo, mas com pouca mobília, via-se que seu uso era provisório: uma cama, um pequeno frigobar próximo à janela, de onde se podia vislumbrar boa parte do bairro. Um espelho preso à parede, algumas malas desfeitas com várias roupas sobre elas, a televisão ligada. Empurrei-a para a cama. Passou as mãos pelos cabelos despenteados, ajoelhou-se sobre os lençóis desarrumados, novamente implorou. Usou as palavras misericórdia e compaixão como se elas pudessem significar alguma coisa naquele instante. Em momento algum me perguntou a razão de tudo aquilo: ela sabia o motivo. Pois então. Ainda de pé, retirei um dos frascos do bolso do paletó e, sem nada dizer, apenas gestual porque não queria que ela ouvisse minha voz naquele momento, mostrei-lhe o que fazer. Ela observou o frasco, ainda em minha mão, desconfiada, os olhos acesos, assustados. Pensou em levantar-se, mas eu movimentei meu corpo para a direita, fazendo-a recuar. Não havia saída. Tentou conter a sofreguidão respiratória, fechou os olhos, pareceu acalmar-se diante de toda aquela cena de medo e violência. Ofereci-lhe o veneno mais uma vez. Ela iniciou um choro miúdo, entremeado por frases que expunham seu arrependimento. Ela sabia por que eu estava ali, embora ignorasse que eu pouco conhecia o homem de cuja fortuna ela queria apoderar-se. Cheguei a pensar – mas esse pensamento desapareceu quase instantaneamente – em contar-lhe tudo: o voo, a desolação do ex-marido, a minha fúria, a obtenção do veneno, a tocaia, o filme de Hitchcock, os estranhos num trem – em resumo: eu não tinha um motivo para matá-la. Ela se levantou, estendeu o braço e coloquei o frasco de veneno em sua mão. O inchaço em seu rosto aumentara, ainda mais avermelhado, ainda havia sangue num dos cantos da boca e saindo de suas narinas. Olhou-me nos olhos e, percebendo não ter alternativa, e com uma expressão submissa no rosto, bebeu seu conteúdo. Retirei o outro frasco, ofereci-lhe. Seu conteúdo foi também ingerido, em silêncio. Depois, deitou-se. Aproximei-me dela, cobri seu corpo, saí do quarto, não sem antes trancar a janela, danificar o fio telefônico e apagar a luz. Tranquei o quarto, desci as escadas, esperei na sala escura durante meia hora, tempo suficiente para o veneno iniciar sua devastação. Antes de deixar a casa, pude ouvir seus uivos de agonia. Pois então. Peguei o avião logo pela manhã, e voltei para casa.

 

 

Foi assim que tudo começou, quase como o filme a que você assiste. Farley é realmente parecido comigo, não acha? Assim iniciei minha jornada de asseio e justiça. Nem todos os contatos aconteceram em aviões. Alguns desses infelizes homens eu encontrei em bares, num elevador, numa praça. Um deles eu encontrei em um teatro. Observo seu feitio angustiado, aproximo-me e eles tudo me contam, muitos com a voz sofrida; outros, com destempero e repulsão – mas todos casados com mulheres que merecem morrer. Para mim, não importa. Já faz quatro anos que a minha vida tem essa variante. E com você não será muito diferente, é bom que esteja preparada. Você está diante desta cena, congelada, em que Farley Granger sorri da proposta que lhe é feita por Robert Walker. Com seu marido, a quem você atormenta e desrespeita, foi assim. Para mim ele é apenas um estranho assim como para ele não passarei de uma ligeira lembrança de um homem que se sentou a seu lado, durante um voo, e que não pôde deixar de ouvir suas palavras consternadas acerca de um casamento em que uma esposa se mostra desgraçadamente infiel e corrompida. Não, não chore. Não se arrependa, não há mais o que fazer. Aqui está o veneno, e devo dizer que você, diferentemente da primeira mulher, da primeira de uma longa série de mulheres, e pelo menos até agora, foi a única a ouvir minha voz.

 


Publicado em Todas elas agora, volume de contos de Francisco Grijó.

 

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