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A longa história: uma orelha virtual

 

Fernando Achiamé

 

Leitura prazerosa e enriquecedora está assegurada a quem percorrer os longos caminhos deste livro. Aproveitando elementos medievais autênticos – histórias, personagens, canções, costumes, poemas, crenças, etc. –, o autor construiu uma obra de ficção que encanta, ilude, toca a emoção e apela para a inteligência, tudo bem ao gosto deste início de século. Quer dizer, a História viva fornece dados para a criação de histórias fictícias. Mas que histórias são essas? Posso adiantar que são muitas e uma só: a busca empreendida pelos homens desde sempre para dar algum sentido às suas existências.

 

A longa história revela uma Idade Média que nunca existiu – mas que, em termos ficcionais, é inteiramente verdadeira – e o faz através de descrições exuberantes de paisagens para nós exóticas, achados linguísticos, riqueza imagética, tramas (porque são muitas) de surpreendentes desfechos. Este é um romance que possui definida “cor local”, se é que podemos aplicar essa expressão ao Medievo europeu, e certeira característica universal por tratar das alegrias e das misérias humanas.

 

Reinaldo Santos Neves nos transporta para diferentes universos. Conduz-nos sutilmente por mais de dois mil quilômetros de caminhos cheios de aventura e de poesia, fazendo-nos durante todo o trajeto conviver com personagens, lugares e acontecimentos inusitados – um mundo novo no Velho Mundo medieval. Depois, ao compartilharmos com o autor narrador muitas e muitas páginas, deles nos fazemos cúmplices no serviço da arte literária; ou seja, a carpintaria do romance está inteiramente à mostra, mas essa “verdade estrutural” será dividida com você, quase leitor, e certamente há de surpreendê-lo. O romancista também nos encaminha para o interior de nós mesmos, mas não em termos de uma autoajuda água com açúcar, tão em moda ultimamente. É que a densidade destes relatos fictícios nos leva verdadeiramente a modificar nosso olhar sobre a realidade na qual estamos inseridos, e essa mudança na “visão de mundo” é sempre enriquecedora.

 

A história é longa, reconheço, mas não cansa. Ao contrário! Histórias saem do interior de histórias e no final fica um gostinho de quero mais, e aí não tem jeito: é esperar o próximo romance do autor – que já nos promete uma volta à Idade Média com o épico A folha de hera – ou dar um tempo e reler estas páginas.

 

Dito isso, leitor amigo, mergulhe na viagem que lhe oferece este livro se você gosta de passar momentos agradáveis consigo mesmo e a um só tempo crescer interiormente. Não é para isso afinal que serve um bom romance?

 

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