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160 anos de história: Biblioteca Pública do Espírito Santo

 

 Rita de Cássia Maia e Adriana Campos

                                            

Profundas transformações sociais marcam o país e o mundo nesses mais de 160 anos de história da Biblioteca Pública do Espírito SantoBPES – completados em 2015. A abertura de mercado decorrente dessas transformações se faz sentir em todas as instâncias: na mídia, na política, na cultura, na ciência, na economia e na informação. Esse movimento interfere nos sistemas sociais, nas relações humanas e na riqueza e no destino das nações. Nessa nova ordem mundial os homens e as instituições encontram-se interligados, em rede, por diferentes canais informacionais e comunicacionais. Independentemente da diversidade política e cultural que os povos apresentem, a informação invade nossas vidas, nosso cotidiano, eliminando fronteiras e trazendo novas e significativas mudanças.

 

Parte dessas transformações e conquistas vividas pelo povo capixaba desde o Império até o advento da República foi a Biblioteca Pública do Espírito Santo, denominada originalmente Biblioteca Provincial.  Desde sua fundação, o sonho de uma sala pública de leitura enfrentou inúmeras adversidades. Sua existência se iniciou graças à mobilização de intelectuais capixabas que se dispuseram a entregar parte de seu acervo pessoal ao governo para a criação do espaço que abrigasse livros e periódicos. Em documento datado de 1853, uma comissão designada pelo presidente da Província, Sebastião Machado Nunes, prestava conta dos preparativos para receber os 400 volumes enviados do Rio de Janeiro por Braz da Costa Rubim, advogado e historiador capixaba, que, com essa doação, daria o passo decisivo para que fosse criada em 16 de julho de 1855 a Biblioteca Provincial. Tendo sido a sexta biblioteca criada no Império, foi instalada em uma das salas do segundo pavimento do que hoje conhecemos como Palácio Anchieta. Muitas dificuldades fizeram a nova sala da Biblioteca ter vida irregular até se consolidar na década de 1880, quando seu acervo obteve algum crescimento, com a instalação dos móveis definitivos, a iluminação e o funcionamento de dia e à noite.

 

Desde então se pode inferir, da leitura de documentos, o longo percurso de construção, reforma, criação, ampliação e recuperação de acervos, de móveis de leitura e imóveis para sediar a Biblioteca Pública durante a República. Em 1909, o Estado, sob o comando de Jerônimo Monteiro, reorganizou a Biblioteca Pública, e, em 1912, a transferiu para um dos salões do pavimento térreo do novo Palácio do Congresso Legislativo. Quase duas décadas depois, em 1926, Florentino Avidos, então Presidente do Estado, determinou a construção de uma sede à rua Pedro Palácios, capaz de abrigar a Biblioteca Pública e o Arquivo do Estado. Seu funcionamento estendia-se por sete horas diárias: de 8h às 10h; de 12h às 15h; e de 18h às 21h.

 

Livros e periódicos ganharam valor para os capixabas no decorrer do século XIX. A leitura não era mais exclusividade de pessoas que tinham acesso às bibliotecas de conventos ou de colégios confessionais. Em fins do Oitocentos, os números revelam o enorme interesse pela leitura por parte dos capixabas, cuja biblioteca obteve números recordes de consulentes, se comparados à frequência da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro na mesma época. Levada a efeito a iniciativa dos intelectuais capixabas, a leitura pública se consolidou e trouxe consigo novos conceitos da política e da cultura que formatariam as perspectivas de desenvolvimento em fins do Oitocentos e início do Novecentos.

 

Em 1979, no governo de Élcio Álvares, a Biblioteca Pública ganhou nova sede própria na Praia do Suá, com prédio de 800 m2. De 2003 a 2010, como parte de um projeto de governo no período do então governador Paulo Hartung, a nova sede passou por significativas mudanças, tendo sido ampliada para 1.500m2 em sua área física. Desta grande reforma resultaram melhores condições para a guarda de seus valiosos acervos e o aperfeiçoamento de seus serviços, que cada vez mais dependem das inovações e avanços tecnológicos para atender às necessidades de informação e de conhecimento, condição indispensável ao pleno exercício da cidadania neste célere século XXI. Nesse período (2003 – 2010), ações de descupinização, organização e preservação de acervos vêm sendo desenvolvidas, como se pode constatar por meio de visitas à Biblioteca Pública do Espírito Santo Levy Cúrcio da Rocha, nome atribuído á instituição em homenagem ao historiador capixaba. Em vasta documentação administrativa e institucional podem-se encontrar informações e referências sobre o desenvolvimento deste e de outros projetos, ampliados pelos serviços e por outros projetos mais recentes (2015/2016) que atestam o crescente interesse do público leitor bem como o vigor de sua política cultural. O livro publicado pela Arte da Cura Editora numa parceria da BPES/SECULT com a UFES, o livro 160 anos de História: BPES conta a história da reconstrução desta Biblioteca, e, ao fazê-lo, conta também um pouco da história do Espírito Santo.

 

A compreensão do ato da leitura desafia os estudiosos desde sempre. Nesta coletânea, em face da riqueza dos acervos de documentos históricos e obras raras da BPES, desvenda-se uma parte, ainda que modesta, da jornada da leitura em nossa região. As ações da política de preservação de acervos da Biblioteca Pública do Espírito Santo têm sido decisivas para a consolidação da instituição não apenas como guardiã de um importante patrimônio do povo espírito-santense, mas também como referência local e nacional de sua memória e de sua identidade. Nessas ações assentam-se as bases de uma política cultural de valorização do conhecimento, da ciência e das artes voltada para o cumprimento de sua função social, qual seja a de assegurar acesso à informação e ao conhecimento para todos e contribuir para formar cidadãos mais críticos e qualificados para a vida em sociedade.

 

Como espaço de referência de pesquisa e leitura para a sociedade capixaba, a Biblioteca Pública do Espírito Santo – BPES – tem como missão garantir a guarda e a preservação da memória e dos bens simbólicos representados por seus acervos e coleções, bem como promover a igualdade de oportunidades e de livre acesso à informação e ao conhecimento nas mais diversas áreas da criação humana e da cultura.

 

Vitória, 29 de outubro de 2016

Adriana Pereira Campos

Rita de Cássia Maia e Silva Costa

 

 

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