PRINCIPAL

LEITURA

 

 

 

 


 

 

Há literatura no Espírito Santo

 

Há. De Manoel de Andrade de Figueiredo, Marcelino Duarte, Azambuja Susano, Maria Antonieta Tatagiba, Graciano Neves, etc., até chegar à década de 1980, quando a FCAA publica em sua Coleção Letras Capixabas autores do porte de Adilson Vilaça, Bernadete Lyra, Fernando Tatagiba e Reinaldo Santos Neves, entre outros. Na década de 1990, a coleção A Cultura na Ufes revelou importantes escritores e publicou livros de outros já consagrados. Publicações da PMV e do IHGES devem, entre outros, ser também lembrados. Sem falar naqueles escritores que publicam seus livros às suas expensas ou sob o patrocínio de leis de incentivo à cultura (o que acontece até hoje) e de iniciativas editorias alentadoras, como é o caso das editoras Formar, Flor&Cultura e Cousa. Enfim, aqui o caldo engrossa, o que não nos permite continuar fazendo citações sob risco de séria omissão.

 

Reafirme-se então: há literatura no Espírito Santo. Coexistindo com sérias questões acerca de toda essa produção. Diga-se de passagem, a literatura produzida no Espírito Santo não fica a dever à que é feita no restante do país. Exceto por alguns pontos sobre os quais gostaria de me referir, ainda que, por imposição do tamanho da coluna, tão panoramicamente.

 

Escritores capixabas enfrentam um crônico problema de edição e, o que é pior, de distribuição. Nossa produção editorial voltada ao comércio de livros de autores capixabas é incipiente. E nesse ponto, as pouquíssimas editoras existentes enfrentam as mesmas dificuldades que as dos autores que publicam seus livros sob a indigesta insígnia de Edição do Autor. Aparentemente, os livros são vendidos apenas na noite de autógrafos. Depois caem no esquecimento. A maior parte deles.

 

Uma evidência é a de que os livros de escritores capixabas sofrem com a impermanência. Raríssimos são os livros que passaram da primeira edição, embora muitos deles merecessem. Isso significa que, a despeito de sua importância, algumas obras-primas estão fadadas ao esquecimento.

 

Nunca se escreveu tanto no Espírito Santo. E nunca se produziu tanto livro. Não é incomum que haja dois, cinco, dez lançamentos numa única semana. A visibilidade desses livros é que continua um problema crônico. Blogs e perfis tentam dar conta do recado e sem dúvida têm contribuído para a disseminação do livro. Uma das mais importantes iniciativas na Internet fica por conta do site Tertúlia (www.tertuliacapixaba.com.br), uma revista eletrônica com milhares de acessos mensais voltada exclusivamente para a divulgação do livro no Espírito Santo. Mas o espaço na grande imprensa é pífio. Não é incomum que o lugar que poderia ser dado à produção editorial – e às artes em geral no Espírito Santo: música, teatro, artes plásticas, etc. – seja ocupado por divulgação das mais indigestas atrações artísticas.

 

Enfim, livro de escritor capixaba é raro, é difícil, quase um talismã. Os que procuram pelos grandes clássicos produzidos no Estado que o digam. Mas o livro produzido aqui resiste, já ocupa razoável espaço nas livrarias, e, apesar de às vezes parecer que não, existe, e de boa qualidade, digno de entreter as horas de leitura de todo capixaba que preze o que é seu.

 


Texto originalmente publicado em A Tribuna em 6 de abril de 2013.

 

 

Comente este texto

 

Clique aqui para acessar o índice desta coluna

 


 

Curta esta página ou indique para seus amigos

 

Acesse o site do escritor Pedro J. Nunes

 

VOLTAR


     © 2005 Tertúlia

     Direitos reservados

Site de utilidade pública, sem fins lucrativos