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ANO XI - Última atualização: 29 de julho de 2016.

 

 

 

 

Iracema Moraes de Matos era minha tia-avó, e de fato avó social, pois criou três dos seus sobrinhos: meus tios Dicamor e Pedro, e minha mãe Felisbina (Bina), órfãos de pai e mãe desde bem pequenos. Vovó Iracema era casada com Arnulfo Matos e muito amiga de Maria Stella de Novaes, a quem chamava de Stellinha, e que a mencionou em seu livro A mulher na história do Espírito Santo. Ainda criança, conheci dona Stellinha no apartamento dos meus avós, no quarto andar do Edifício Presidente, no centro de Vitória. Logo me encantei com aquela pessoa diferente, que falava de modo distorcido e num tom alto, por ser surda. Com cabelos curtos, mais brancos que grisalhos, de porte empertigado e com voz firme, a figura de dona Stellinha nunca mais me fugiu da memória, devido também às constantes referências que a ela faziam meus familiares.

 

 

 

 

 

 

 

 

Aqui, no centro de Vitória, tenho caminhado inutilmente pelo deserto: em todo o perímetro urbano nenhuma livraria robusta. Apenas decrepitudes e sebos. Esse mofo contemporâneo afeta a cidade como um todo: está a cada dia mais difícil encontrar nos olhos transeuntes o brilho que ultrapasse o prosaico e encontre outras belezas. Há dez, quinze anos, quem caminhasse atentamente pela cidade poderia encontrar algum Augusto dos Anjos e outros poetas mortos ainda vivos em gestos absortos e sorrisos. Hoje, aqui e ali, desertificação. Sujeitos digitalizados.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 

 

O que aconteceu no Espírito Santo, relativamente à literatura, desde sua colonização? Que relevância tem a produção de livros em nosso Estado? No livro A literatura do Espírito Santo: uma marginalidade periférica, publicado em 1996, Francisco Aurélio Ribeiro se dispõe a investigar o assunto e a fornecer respostas.

 

A partir desta edição, com o objetivo de contribuir para que se conheça melhor a literatura produzida em nossa terra, o site Tertúlia passa a publicar esse importante livro do pesquisador e escritor Francisco Aurélio Ribeiro.

 
   

 

 

 

 

 

 

 

Antes que eu terminasse de subir a escadinha do Instituto Histórico e Geográfico, o fantasma do centro de Vitória me agarrou pela canela - experiência nada agradável a de sentir o friúme gelatinoso da mão de um avantesma irradiando um calafrio mórbido pelo meu corpo, mesmo às quatro horas da tarde de uma quarta-feira de radioso sol de verão.

 

- Nem mais um degrau acima sem ouvir o que tenho a dizer.

 

- Desse jeito você me mata de susto... – protestei.

 

- Desculpe-me, meu ínclito, mas preciso da sua opinião.

 

 
   

 

 
 

 

As águas (escachoantes) corriam rapidamente pelas bromélias e o roxo do caixão de Rita se refletia nas presilhas douradas, construindo uma cascata fantástica onde as pérolas das águas espumantes quebravam-se interminavelmente. Passaram-se horas lentas de chorar miúdo, de lamentos abafados pelas catadupas de flores que enfeitavam não apenas o vestido branco de Rita e sua testa pálida quase sumindo debaixo da guirlanda de amores-perfeitos, mas também os cantos das salas. E sobre as flores multicoloridas adejavam abelhas colhendo o néctar. E caía a cera derretida das inúmeras velas que rodeavam o funéreo leito da prima Rita.

 

 

 

 

 

 

 

 

Nos jornais daquela manhã o povo leu sobre o morte do escritor notícia estampada nos jornais em belas letras negras. O rumor encheu o dia. A alguns, morte tão trágica consternou. Outros sorriram seus oblíquos risos. E houve mesmo quem se sentisse ligeiramente aliviado.

***

“(...) O corpo foi encontrado na varanda do apartamento. Ao lado do cadáver havia uma caixa de barbitúricos e várias garrafas de cerveja vazias. Como não havia marcas de violência (...) presume-se que tenha cometido autoextermínio”.

The Daily Pain

 

 

 

 

 

 

 

 

Um dia, estava no escritório do amigo Pedro, convidado para um café coado, quando avistei um livro de capa vermelha exibindo a ilustração de uma chama de cor amarela. Avistei, porque forçava a vista bisbilhotando, e bisbilhotava por livros porque em casa de escritor o que mais se avista são livros, porque um leitor compulsivo não tem como resistir àquela exibição intensa, obscena, pode-se dizer, de livros, porque Pedro tem muitos, cada um melhor que o outro. Ali estava um de que ouvia falar, mas no qual ainda não tinha colocado as mãos: “As chamas na missa”, de Luiz Guilherme Santos Neves.

 

 

 

 

Depoimentos de Afonso e Álvaro Abreu sobre Rubem Braga

Pedro J. Nunes fala de seu documentário sobre o Parque Moscoso

Zé Benedito: carreiro, vídeo de Pedro J. Nunes

 

Reinaldo Santos Neves fala sobre o romance A ceia dominicana.

 

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